Curitiba Muitos idosos ainda não foram retirados por suas famílias dos três asilos clandestinos em Colombo, Região Metropolitana de Curitiba, interditados anteontem pela Polícia Civil. A reportagem da Folha esteve em um das casas ontem e constatou que vários idosos estavam no local. A polícia deve começar a intimar os parentes das vítimas para depor a partir da semana que vem.
''Ele tinha problemas com bebidas alcoólicas e por isso resolvemos interná-lo. Não tínhamos condições de cuidar para que ele se mantivesse longe do álcool'', justificou a neta do aposentado Francisco Pereira Lopes, 73 anos, que preferiu não se identificar. Depois de tomar conhecimento das denúncias, ela foi até o asilo para buscar seu avô, onde estava há cerca de um mês, e levá-lo para casa. ''Eu não gostava de lá. Eu não fui maltratado, mas o lugar parecia uma prisão. Não deixavam a gente sair para nada'', conta o aposentado, que não estava certo para onde seria levado pelos parentes.
A chefe do Departamento de Assistência Social da Prefeitura de Colombo e responsável pela política de atendimento ao idoso, Maria da Silva Souza, alega que o problema com asilos clandestinos começa na família do idoso ou do deficiente. ''Os parentes não sabem o que fazer com essas pessoas ou simplesmente não as querem por perto e as colocam em qualquer lugar. E em casos como esses, a família pode ser responsabilizada judicialmente'', afirma. Ela diz ainda que muitas vezes os idosos são até explorados pela família, que fica com seu dinheiro.
Na opinião da chefe do departamento de assistência, os crescentes programas de desospitalização de pessoas com problemas psiquiátricos, que vem acontecendo no País há pouco mais de um ano, estão fomentando esses asilos clandestinos. Isso porque as famílias não conseguem se adaptar ao deficiente e preferem interná-lo novamente. ''Esse processo tem que ser lento e precisa existir uma casa intermediária para os pacientes. Caso contrário, eles vão sempre acabar nesse tipo de lugar'', acredita.
As casas interditadas não possuiam alvará de funcionamente e nem acompanhamento de especialistas. A polícia suspeita que alguns idosos chegaram a sofrer lesões corporais. Com a proprietária das casas, Maria de Fátima Pereira Mello, foram apreendidos 20 cartões de banco para a retirada da aposentadoria dos internos. A denúncia foi feita por vizinhos e parentes de Maria de Fátima, que foi presa em flagrante. Ela nega as acusações.

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