A Companhia de Habitação (Cohab) do Município está acompanhando a ocupação do fundo de vale do conjunto Hilda Mandarino (zona norte de Londrina) desde o início deste mês, quando reportagem do Bonde revelou que o local havia recebido novas famílias. Uma delas, inclusive, usa parte da área de preservação permanente como sítio. Outro morador, de acordo com o presidente da Cohab, José Roberto Hoffmann, teria mudado para um barraco no fundo de vale após vender um apartamento popular, até então de sua propriedade, localizado no residencial Vista Bela, também na região norte. "O idoso disse que o imóvel possuía muitas escadas e, por isso, não conseguia morar no local. Ele alegou ter diversos problemas de saúde que prejudicam a sua locomoção", explicou Hoffmann em entrevista ao Bonde nesta quarta-feira (22).

Vista Bela é o maior empreendimento do "Minha Casa, Minha Vida" do país
Vista Bela é o maior empreendimento do "Minha Casa, Minha Vida" do país | Foto: Divulgação/N.Com da PML



Obtida por meio do programa "Minha Casa, Minha Vida", a moradia teria sido entregue pelo idoso ao seu filho. "No entanto, fomos até o local e encontramos uma pessoa que alegou nem conhecer direito o senhor. Ela contou, ainda, que teria comprado o apartamento dele", destacou o presidente da Cohab. De acordo com Hoffmann, pelo menos 5% dos imóveis do programa federal são 'recomercializados' de forma clandestina pelos seus proprietários de origem. "Tem gente que vende, outros alugam... Algumas pessoas também mudam de cidade e deixam os imóveis fechados. No jardim Abussafe, por exemplo, um morador comercializou a sua moradia no passado e simplesmente sumiu. Em casos como esse, ficamos sem saber o que fazer", citou.

Reportagem do Bonde de dezembro do ano passado mostrou que alguns moradores estariam utilizando classificados de sites e veículos de comunicação para anunciar a venda dos imóveis populares. Na época, a Caixa Econômica Federal informou manter um número telefônico (0800-721-6268) para receber denúncias desse tipo. Quando a recebe, a instituição formaliza uma correspondência ao morador denunciado e estipula prazo de 30 dias para que ele preste esclarecimentos sobre as supostas irregulares. Em caso de não cumprimento, o denunciado passar a ser monitorado por uma empresa terceirizada da Caixa.

Ocupação

Já sobre a ocupação do conjunto Hilda Mandarino, o presidente da Cohab lembrou que a área pertence à Prefeitura de Londrina, órgão que, conforme ele, precisa tomar providências para recuperar o fundo de vale. "A gente faz o acompanhamento e avisa o município quando perceber que o problema é grande. O pedido de reintegração de posse, no entanto, precisa ser feito pelo Executivo", lembrou, adiantando, entretanto, que a situação do fundo de vale do Hilda Mandarino é considerada "tranquila" pelo poder público.

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