Idoso que era mantido em canil ganha lar provisório em Cascavel
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 09 de abril de 1997
Paulo Pegoraro Sucursal de Cascavel 
Edson MazzettoCasa NovaOzuardo deve ser transferido para um asilo em Nova Aurora; ele não quer voltar para casa da filhaO Asilo São Vicente de Paulo é agora o abrigo provisório do ex-carpinteiro Ozuardo Dias da Silva, 55 anos, paraplégico. Durante muito tempo, ele teve como lar uma espécie de canil, e como único companheiro um cachorro. Junto com o animal, recebia apenas minguada ração alimentar.
Ozuardo era mantido no local por sua filha, a auxiliar de enfermagem Ana Maria da Silva, 24 anos, que responde a inquérito policial por maus-tratos. O caso chama atenção em Cascavel desde o final do mês passado, quando o idoso foi retirado do canil depois de denúncia de vizinhos.
Os policiais levaram Ozuardo para o Hospital Santa Catarina, onde ele permaneceu dez dias, porque estava completamente desnutrido e desidratado. Ali, foi submetido a exames para avaliar sua condição neurológica, comprometida por derrame cerebral.
A enfermeira-chefe do hospital, Ireni de Souza, disse ontem que a transferência do idoso para o asilo foi autorizada por sua filha. Mas ele permanecerá no local apenas por alguns dias, porque o asilo está superlotado.
O médico Aurélio Regasso, dono do Hospital Santa Catarina e ex-prefeito de Nova Aurora, está providenciando um local naquela cidade para abrigá-lo. Separado da mulher, Ozuardo morava com a filha e o marido dela, o vendedor Dirceu Pichonski, 25 anos.
O casal usou o dinheiro da aposentadoria do idoso para construir a espécie de canil (com telhado baixo e sem ventilação) onde ele foi deixado. Em frente há uma fossa sem tampa. O idoso disse que a filha batia nele constantemente com um rodo.
Ana Maria, que trabalha no Hospital Regional de Cascavel, prefere não falar sobre o assunto. A ex-mulher de Ozuardo, que não quer ser identificada, afirma que ele tinha gênio muito ruim, era agressivo e maltratava a família.
A informação é confirmada pelo genro Dirceu Pichonski. Segundo ele, não havia mais nada a fazer por Ozuardo, além de colocá-lo na casinha. Durante o tempo em que permaneceu hospitalizado, ele não recebeu visitas.
A enfermeira-chefe assegura que, no hospital, Ozuardo demonstrou ser pessoa muito calma, sem nenhuma agressividade. Antes de ser levado para o asilo, ele se recusou a voltar para a casa da filha, que também se recusou a recebê-lo. Ontem, disse estar feliz. Agora tenho direito a tudo. Posso comer três vezes por dia.


