''Fraternidade e Pessoas Idosas'', este é o tema da Campanha da Fraternidade 2003 que teve início ontem, em todo o país. Sob o lema ''Vida, dignidade e esperança'', a campanha da Igreja Católica pretende sensibilizar leigos e governos municipal, estadual e federal para a situação dos idosos no Brasil.
O arcebispo de Londrina, dom Albano Cavallin, lembrou que a campanha começou na cidade de Natal (RN), há 42 anos, trabalhando temas religiosos. Pouco tempo depois, começou a atuar em todo o país e a abordar temas socias. Como a população acima dos 60 anos cresceu nos últimos anos, atingindo 15 milhões (8,6% da população total), e a estimativa é que atinja os 15% em 2020, o idoso foi escolhido como linha de trabalho.
Ontem, o arcebispo e o sheik Ahmad Maairi rezaram a Oração de São Francisco e intercederam pela paz no mundo. Dom Albano disse que a Igreja irá trabalhar para colocar em prática a legislação vigente que garante direitos e livre acesso aos idosos. Cuidados que vão desde tapetes de borracha no banheiro até acesso a caixas de banco sem precisar enfrentar filas. Tudo para garantir uma vida digna e com qualidade.
Dom Albano fez questão de frisar que a campanha não é só para a terceira idade. ''Começamos a envelhecer no dia seguinte ao nosso nascimento. A campanha vai ensinar as pessoas a entrarem no processo de envelhecimento'', justificou. Segundo ele, sentimentos como vingança, ódio e raiva ajudam as pessoas a envelhecer e a quaresma, tempo vivido pela Igreja antes da celebração da Ressurreição de Cristo, na Páscoa, é ideal para um repensar de atitudes e posturas.
A quaresma é tempo de oração, jejum e esmola. Ela relembra os 40 dias que Jesus passou jejuando e leva os cristãos a tomarem uma postura de reflexão e conversão. Foi durante a quaresma que nasceu a via-sacra, que acompanha todo o sofrimento de Jesus até a ressurreição.
O tradicional jejum de carne, aconselhado a ser realizado pelo menos na quarta-feira de cinzas e na sexta-feira da paixão, é substituído por outros no período da quaresma. Se abster de chocolate, cigarro e até televisão é uma atitude tomada por muitos cristãos hoje em dia. ''Todo mundo já jejua 365 dias por ano, a Igreja está mais mãe'', brincou Dom Albano.

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