Idosas aprendem a fazer bolsa artesanal
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quarta-feira, 21 de agosto de 2002
Janaina Hoffmann<br> Reportagem Local 
Dona Maria Conceição Perolla, 64 anos, veio de São Paulo para o Paraná ainda menina. Desde então começou a trabalhar na roça, local onde casou e criou os nove filhos. Em 1982 mudou-se para o Jardim Santa Fé (zona Leste de Londrina). Foi lá que, há quatro anos, dona Maria conheceu o Projeto Harmonia, da Secretaria do Idoso de Londrina, que atende cerca de 1.500 pessoas. ''A partir dos cursos oferecidos pelo projeto aprendi a fazer muita coisa'', contou mostrando alguns bonecos de gesso e uma blusa de fuxico que fez.
É com a venda desses artesanatos que consegue tirar alguns trocados. Ela e o companheiro, que trabalha como catador de papel, ganham menos da metade de um salário mínimo. ''A salvação é a cesta básica que recebemos todo mês. Deus é quem nos ajuda. A gente vive é por vontade'', desabafou.
De acordo com a Secretária do Idoso, Maria Ângela Santini, o objetivo dos cursos, é oferecer às mulheres oportunidades de aprendizado, para que, a partir do conhecimento elas possam desenvolver trabalhos que gerem renda.
O mais novo curso oferecido pelo projeto é o de bolsa de fibra da bananeira, que está sendo realizado na Igreja Nossa Senhora do Rosário, Parque Bom Retiro (área central), desde segunda-feira. Sessenta mulheres dos grupos da Terceira Idade estão aprendendo a confeccionar a bolsa. Cinquenta por cento da inscrição do curso foi subsidiado pela secretaria.
No curso, cada uma confecciona uma bolsa. O custo da confecção é de R$ 7. Mas, por ser um trabalho totalmente artesanal, o produto pode ser vendida por até R$ 20 reais. ''Elas estão empolgadas. Algumas aprendem rápido, outras demoram um pouco mais'', diz a monitora do curso Maria José Teixeira Lopes, que também faz parte da Associação das Mulheres do Patrimônio Selva (Região Sul).
Mesmo aos 58 anos de idade, Dona Neusa Macedo, que está fazendo o curso, diz que é muito ativa. Trabalhou a vida toda como costureira. Hoje, por fazer parte da população excluída do mercado de trabalho, em virtude da idade, como ela mesma conta, não desanimou e decidiu se integrar aos grupos de idosos do Projeto Harmonia. ''O meu sonho é futuramente reunir outras mulheres e formar uma cooperativa de produção. Cada uma faz o que sabe. Ninguém é dono de ninguém. É daqui que poderemos tirar uma renda extra'', afirmou.


