Velocidade e uma curva fechada. Foi o que bastou para a dona-de-casa Aurita Alves Rocha, 67 anos, ser jogada do banco do ônibus, com a neta de três anos no colo. O acidente aconteceu no final da tarde de anteontem, na linha 201, Jardim Califórnia (Zona Leste de Londrina). Socorrida pelos outros passageiros, a senhora passou a noite internada no Hospital Evangélico com quadro de pressão alta e uma luxação no braço.
A família reclama de pouco caso da empresa de ônibus, a Transporte Coletivo Grande Londrina (TCGL), e quer indenização pelos remédios gastos e ajuda no tratamento. Segundo a filha de dona Aurita, Maria do Carmo Alves da Silva, 45 anos, a mãe necessitará de fisioterapia. ''Os médicos já nos avisaram que ela deve perder parte dos movimentos e da força do braço'', diz. Dona Aurita está tomando antiinflamatórios e analgésicos.
A única fonte de renda de dona Aurita vêm do programa Bolsa Idoso, que ela começou a receber há poucos meses. Com o marido aposentado, ela trabalhava como babá para reforçar o orçamento. ''Se ela não puder mais trabalhar a situação vai se complicar. Isso é um absurdo, fala-se tanto dos direitos do idoso e nosso transporte coletivo não oferece segurança e quando alguma coisa acontece nem socorrem as vítimas'', afirma a filha. Segundo ela, ninguém da empresa entrou com contato com a família para conversar sobre o acidente.
Dona Aurita afirma que a queda foi causada por excesso de velocidade. ''O motorista estava com pressa porque o ônibus estava atrasado'', conta. Depois da queda, ela teve uma crise de pressão arterial. ''Na hora fiquei tonta e nem vi o que aconteceu'', diz.
Ontem uma equipe da Secretaria Municipal do Idoso entrou em contato com a família de dona Aurita. Segundo o assistente de Políticas Públicas do órgão, Célio Caminho, a secretaria vai intermediar o contato com a empresa para solicitar o ressarcimento e o pagamento da fisioterapia. ''Também vamos prestar queixa imediata na CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização)'', afirma.
Através de comunicado divulgado à imprensa, a TCGL negou que não tenha prestado socorro à passageira e afirmou que, como de praxe, vai abrir procedimentos de investigação interna para apurar o acidente. A empresa também se comprometeu a auxiliar a passageira na aquisição dos medicamentos indicados no tratamento médico.

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