Curitiba

Marcelo AlmeidaJair de Almeida, da Ecco Salva: versão diferente da apresentada por dona Bianca Bianchi, de 93 anosO serviço prestado pela Ecco Salva Emergências Médicas está sendo alvo de críticas da professora de música Bianca Bianchi, de 93 anos. Dona Bianca conta que ao acionar o atendimento de emergência, depois de um acidente doméstico no dia 17 de novembro, o socorro demorou cerca de 40 minutos para chegar e, quando chegou, deixou a desejar.
Segundo a professora, depois de cair e bater a cabeça no chão, ficou esperando a chegada de uma unidade móvel, que não apareceu. ‘‘Quem foi até a minha casa foi um funcionário da Ecco Salva que em nenhum momento se identificou. Ele tirou a minha pressão e fez um curativo superficial na testa, onde havia um corte profundo. Antes de ir embora, ele disse que, por não ser o meu caso uma emergência, se eu quisesse uma ambulância para ir até um hospital, pagaria por fora’’, disse.
Patrícia Lins, amiga da professora, denuncia negligência na realização dos exames, que não avaliaram o quadro geral, e no tempo de espera pelo socorro. ‘‘O funcionário não tinha o comportamento de um médico e apenas encostou a mão no joelho da Bianca e não examinou mais nada. Na hora de fazer o curativo, pediu uma seringa emprestada para aplicar um analgésico e a minha ajuda para fechar o curativo. Ele nem me perguntou se eu estava com as mãos limpas’’, reclama.
O gerente de atendimento ao cliente da Ecco Salva, Jair de Almeida, informou que a reclamação motivou a abertura de investigações internas. Segundo ele, essas investigações já apontam uma versão diferente.
Almeida sustenta que, ao serem acionados, os atendentes da central telefônica da empresa receberam informações que apontaram para um quadro estável da paciente, o que permitiria um tempo maior para se chegar o local. ‘‘A atendente provavelmente informou a quem telefonou que o tempo de resgate seria de aproximadamente 40 minutos’’, disse.
Ele afirma também que a professora solicitou o uso de analgésico que tinha em casa, e negou que o médico que a atendeu, Marcel Cordeiro, tenha pedido emprestado uma seringa. ‘‘Fornecemos todo o material utilizado’’, garante. Quanto à necessidade de remoção da senhora idosa, o gerente disse que o médico orientou para que ela fosse levada para um hospital para realização de uma sutura em um corte profundo na testa, e para realização de radiografias para verificar a existência de alguma fratura.
Segundo o gerente, o médico colocou imediatamente à disposição de dona Bianca o serviço de remoção da Ecco Salva, totalmente sem custo. ‘‘Porém, como iria demorar um pouco, os amigos decidiram levá-la até o hospital’’, diz.
A equipe que atendeu dona Bianca Bianchi no setor de emergências do Hospital de Fraturas da XV informou que, ao dar entrada no hospital, ela não apresentava complicações decorrentes do tempo que ficou à espera de socorro. Segundo um médico que a atendeu e prefere não se identificar, ‘‘o maior dano foi emocional, pois ela estava estabilizada enquanto esperava pelo socorro’’. No hospital, dona Bianca fez radiografias da cabeça, da mão direita e do braço esquerdo, que constataram a necessidade de colocar uma tala no punho direito. A professora recebeu ainda oito pontos na testa e uma injeção antitetânica.
A professora Bianca Bianchi ligou há uma semana para o gerente da Ecco Salva para saber por que, no seu entender, foi tão mal atendida. A resposta, que deveria ser encaminhada em 72 horas, ainda não foi apresentada pela empresa, que tem 120 mil associados entre Curitiba e São José dos Pinhais, e realiza 6,5 mil atendimentos por mês.

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