É menino ou menina? Além do sexo do bebê, o ultrasom morfológico no segundo trimestre de gravidez pode revelar muito mais sobre a saúde da criança. A presença de uma cardiopatia congênita é uma dessas doenças, que quando identificada e tratada precocemente não interfere na qualidade de vida dos bebês. É o que afirma a cardiologista pediátrica e ecocardiografista infantil, Márcia Thomson, de Londrina.
''A doença pode ser caracterizada por uma má-formação no coração do bebê, que pode ser identificado logo nos primeiros meses de gravidez. Essas anormalidades podem ser um buraquinho no coração, um lado do órgão maior que o outro ou os vasos trocados. Existem más-formações que podem ser desde as mais simples até as mais complexas'', explicou a médica, enfatizando que uma em cada 100 crianças nascidas apresentam a doença. Das que apresentam a doença, 30% têm a cardiopatia mais grave.
De acordo com Márcia, é durante a realização do ultrassom morfológico que pode ser detectada qualquer alteração no coração. Neste caso, o obstetra que realiza o acompanhamento pré-natal irá solicitar uma ecocardiogradia fetal. Neste exame, um especialista fará um ultrassom específico do coração do bebê e indicará ou não um acompanhamento com um cardiologista pediátrico.
Além da necessidade da realização desse exame quando constatada alguma alteração durante a ultrassom, a especialista alerta que a ecocardiografia fetal deve ser realizada por gestantes com mais do que 35 anos de idade; sejam portadoras de diabetes ou lúpus; se já tiveram outros filhos com cardiopatia congênita; se tiveram doenças como toxoplasmose ou rubéola durante a gestação; se utilizaram medicamentos como anticonvulsivantes, antinflamatórios, acido retinóico e litio; se estão esperando gêmeos ou múltiplos ou se for detectada alguma síndrome no feto.
A especialista explica que apesar do tratamento ser realizado após o nascimento do bebê, a identificação precoce influenciará no sucesso do trabalho. ''A família se prepara psicologicamente. E quando é uma cardiopatia grave, nós conseguimos programar a data com o cirurgião e reservar o leito de UTI para o bebê'', detalha. ''E o mais importante, nós não iremos esperar que o bebê passe mal para fazermos algo.''
Segundo ela, a cardiopatia congênita mais grave existente hoje é a Síndrome de Hipoplasia do Coração Esquerdo - todo o lado esquerdo do coração é pequeno e não consegue dar conta da atividade do órgão. Mas a especialista alerta que também para essa cardiopatia a identificação precoce e o tratamento podem minimizar os incômodos. ''Hoje em dia não existe nenhum problema de coração que não possamos tratar e colaborar para que a criança tenha qualidade de vida.''
Márcia detalha que quando a doença não é identificada ainda durante a gestação, alguns sinais, logo nos primeiros dias de vida, podem revelar a presença de uma cardiopatia grave.

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