Mais quatro asilos clandestinos foram identificados ontem pela reportagem da Folha, no centro e região sul de Londrina. Nos locais vivem 12 idosos, mas o número pode ser maior, porque a equipe de reportagem não conseguiu entrar em uma das casas.
Na residência de Conceição Gomes, na Rua Ermelindo Leão, Vila Portuguesa, região central, além do depósito de lixo reciclável, da sujeira e cachorros doentes, três idosos com mais de 60 anos pagam cerca de R$ 100,00 cada um para morar. A dona da casa disse que ‘‘zela bem dos hóspedes’’, e um deles, o marceneiro aposentado Antônio Enck, 62 anos, garantiu que não tem do que reclamar. ‘‘Tenho comida e roupa lavada’’, afirmou Enck, que tem tem oito filhos. ‘‘De vez em quando um deles vem me visitar’’, comentou.
A poucos metros do local, nos fundos do bar do Capoeira, Rua Belém (centro), moram três idosos. O dono do estabelecimento, Aparecido José da Silva, informou que uma assistente social esteve na casa e quis encaminhar os idosos para outro local. ‘‘Eles se recusaram a ir’’, afirmou. O aposentado José Moraes da Silva, 70 anos, disse que é bem tratado pelo dono do bar.
Em outro asilo clandestino, na Rua das Papoulas, Parque Ouro Branco, vivem seis idosos (cinco homens e uma mulher), alguns com mais de 80 anos. A proprietária, Lúcia Tasca, disse que sempre hospedou idosos e nunca teve problemas. ‘‘O Alcides (85 anos), entra em depressão quando a filha mais nova vem de São Paulo para visitá-lo’’, relatou.
Augusto Piquine, 70 anos, está na casa há três meses. ‘‘Somente uma irmã aparece de vez em quando.’’ O tratamento no abrigo, segundo Piquine, não é ruim. ‘‘Poderia comer melhor, mas não posso pagar’’, comentou.
Morando na casa há menos de dois meses, Benedito Lima, 60 anos, contou que veio do asilo interditado no Parque Ouro Branco. ‘‘Lá era horrível. Aqui melhorou um pouco’’, garantiu. Diabético crônico, Lima contou que paga um salário mínimo para Lúcia. Ela disse que controla os remédios de todos os idosos. ‘‘Tenho apenas uma funcionária para me ajudar’’, afirmou Lúcia.
Na esquina da Duque de Caxias com a Rua Incós, centro da cidade, onde funciona uma lanchonete, vizinhos afirmaram que vivem vários idosos. Maria Aparecida Taconi, 56 anos, conhecida como Regina, negou. ‘‘Idosos, nunca mais’’, garantiu ela, que há cerca de dois anos foi autuada pela Vigilância Sanitária e pela polícia por manter asilo irregular. ‘‘Fui muito prejudicada e agora não quero mais idosos aqui’’, disse. De acordo com os vizinhos, os idosos estariam acomodados em quartos nos fundos da lanchonete. (M.B.)

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