Identificada conta bancária que teria financiado votos
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terça-feira, 02 de fevereiro de 1999
Paulo Pegoraro 
A identificação de depósitos de valores altos em uma conta bancária de Cascavel - que seria de um testa-de-ferro - levou Procuradoria da Justiça Federal a investigar origem duvidosa do dinheiro e sonegação fiscal. Conta estaria ligada à compra de votos nas últimas eleições para deputado. O procurador Celso Antônio Três informou que pela conta passaram R$ 450 mil, entre setembro e dezembro do ano passado, e o titular assinou pelo menos um cheque, utilizado para comprar votos de estudantes.
A Polícia Federal de Foz do Iguaçu também investiga o caso, que envolve diretamente a chefe do Núcleo Regional de Educação de Cascavel, Marise Luvison, e outras professoras e funcionárias de escolas da região.
A Procuradoria obteve gravações feitas secretamente por uma emissora - a TV Tarobá - nas quais Marise aparece oferecendo dinheiro para festas de formatura a alunos de 2º grau, pedindo em troca votos para Toninho Baratter (PSDB) e Joni Varisco (PTB). Baratter foi eleito suplente deputado estadual (e assumirá o cargo). Varisco, ex-secretário de Estado, não conseguiu se eleger deputado federal.
Um cheque entregue a alunos, de R$ 2 mil, foi emitido por Moacir da Cruz Bueno, que seria sócio da empresa Tomorrow Publicidade. A empresa não existe, segundo Celso Antônio Três. O suposto emitente também nunca apresentou declaração de renda.
Por isso, foi requerida a quebra de sigilo da conta, no posto do Banestado que funciona na Prefeitura de Cascavel. Estão identificados os repassadores do dinheiro para a corrupção eleitoral e os beneficiários. Agora falta saber a origem dos recursos, disse Celso Três.
A Folha procurou a professora Marlise Luvison. Assessores informaram que ela está viajando.


