Katia Baggio Especial para a Folha
Alguns taxistas que trabalham no ponto anexo ao prédio do Pronto-Atendimento Infantil (PAI), em Londrina, dizem que estão tendo prejuízo por causa do adesivo com a marca do PAI fixado na porta dos carros. Benedito Herneto Dias e outros quatro taxistas trabalham no ponto desde março, quando foi inaugurada a unidade de saúde.
Dias contabiliza mais de R$ 30,00 de prejuízo com passageiros que saíram do local e solicitaram corrida pensando que o serviço era de graça. ‘‘As pessoas chegam ao destino, agradecem a gente e ao Belinati e vão saindo do carro. Na primeira vez, eu não entendi nada e perguntei se a pessoa não ia pagar. O rapaz respondeu: mas não é de graça? Foi o que eu pensei por causa desse adesivo aí, na porta do carro’’, contou Dias. ‘‘Como é que eu vou cobrar?’, indaga.
Segundo o taxista, muitas pessoas deixam de usar o táxi personalizado porque pensam que o serviço é exclusivo para transporte de usuários do Pronto-Atendimento Infantil. ‘‘Em uma noite destas, eu e outro taxista, que não trabalha neste ponto, estávamos com os carros estacionados em frente ao Pátio San Miguel, esperando corrida. Veio um casal em nossa direção e, depois de olharem o adesivo, desviaram do meu táxi e optaram pelo outro’’, relatou.
Luís Sergio Emídio, que também trabalha no ponto do PAI, enfrenta a mesma situação. ‘‘ Já perdi corrida porque ouvi a pessoa dizer que não ia usar táxi que transporta doentes. Acho uma discriminação, mas eu também não posso ficar perdendo passageiros porque o carro não é meu. O que ganho não fica só para mim’’, disse. Emídio disse que perdeu cerca de R$ 18,00 em três corridas em que os passageiros entenderam o serviço como complemento ao oferecido pela unidade de assistência infantil.
Por causa de tantos problemas, o taxista Benedito Dias e outros dois colegas fizeram requerimento, há mais de 40 dias, pedindo à Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) autorização para a retirada da identificação. Como não tiveram resposta, há 15 dias eles decidiram tirar o adesivo dos táxis. Eles argumentam que, para conseguir trabalhar no ponto do PAI, passaram por uma seleção e foi exigido que os carros teriam que ser novos. ‘‘Por isso, não é justo pagar impostos e seguro relativos ao preço de um carro novo e ter prejuízo’’, queixa-se Dias.
Os taxistas disseram que, alguns dias antes da festa de inauguração do ponto do PAI, a Comurb pediu para que eles levassem os carros na oficina do órgão para que fosse anexada a identificação. ‘‘Eles disseram que era para a gente deixar isso nos carros até a inauguração do ponto e do PAI. Nós não assinamos nenhum contrato para mantê-las por tanto tempo’’, declaram.
Quem descolou o adesivo garante que o movimento aumentou entre 30% e 50%. Dois taxistas continuam com os táxis personalizados e um deles até usa, diariamente, um uniforme oferecido pela Comurb: calça e gravata pretas e camisa branca. ‘‘A roupa foi entregue para a gente usar enquanto trabalha neste ponto. Vou usar e manter o adesivo no carro até que o impasse seja resolvido’’, disse um dos motoristas, que não quis se identificar.

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