Ao contrário do que se pensava, os recém-nascidos podem ser identificados pela impressão digital dos polegares. Quem sustenta a tese inédita é o delegado-chefe do Serviço de Registros Policiais para Investigações, João Alberto Fiorini, que elaborou projeto para tornar o método obrigatório nas maternidades do Estado. Com o uso de equipamento fotográfico especial ou microscópios, Fiorini diz que é possível ampliar a imagem das digitais para captar particularidades dos dedos que a técnica convencional da almofada de tinta não consegue. Hoje, apenas pelo DNA ou teste do pezinho é possível saber a identidade dos bebês.
O sistema seria à prova de fraudes. As imagens ficariam no prontuário da maternidade e na certidão de nascimento. Se a idéia vingar, Fiorini considera que o tráfico internacional de crianças sofreria um revés. Segundo ele, mães de recém-nascidos são subornadas pelos traficantes para usar documentos dos próprios filhos com a finalidade de esquentar a identidade de outros bebês que serão negociados no exterior. Para viajar, a mãe precisa da autorização do juizado de menores. Através do novo método, o juiz teria a chance de pedir os arquivos da criança que ficam no hospital e compará-los com as impressões da certidão de nascimento para ter certeza de que trata-se da mesma pessoa.
Em casos de identificação de paternidade, Fiorini acredita que o método de ampliação da digital podem substituir perfeitamente os exames de DNA. ‘‘Isso poderia gerar uma economia para as pessoas envolvidas e o Estado’’, afirma o delegado. O ‘‘Projeto de Identificação Neo-Natal’’ foi apresentado no dia 26 de outubro ao Conselho Estadual de Defesa da Criança e do Adolescente, que deve encaminhar a proposta em nome da Secretaria de Estado da Criança e Assuntos da Família para apreciação da Assembléia Legislativa. Caso vire lei, vai obrigar as maternidades a comprar os equipamentos para captar as imagens das digitais dos bebês. Eles custam em média de R$ 1 mil a R$ 6 mil, quantias semelhantes a preços de apenas um exame de DNA.
‘‘A parte científica já foi feita. Agora só resta a parte política’’, diz Fiorini, que aguarda a aprovação de sua idéia. O delegado estudou também meios de identificar recém-nascidos pela íris, a parte colorida dos olhos. Depois de consultar especialistas no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Fiorini admite que o assunto precisa de mais estudos. ‘‘Ainda não sabemos se os olhos dos bebês podem ser prejudicados.’’

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