A professora associada da UEL (Universidade Estadual de Londrina), Rosely Sampaio Archela, participou em 2008 da elaboração do Atlas Ambiental da Cidade de Londrina. Ela explica que muitas vezes a população adota um nome do bairro diferente do oficial por questão de valorização. "Se a pessoa mora num bairro que não é muito cotado, que não é considerado, ela acaba adotando o nome do bairro vizinho", ressalta.

Outro problema é que cada loteamento tem o seu nome e também as linhas de ônibus não respeitam os nomes oficiais. "A rota passa por determinados bairros e por vilas e misturam tudo. Em muitos locais se respeitou o nome oficial dos bairros, onde há mais aceite do que outros, mas em outros não", aponta.

Ela explica que a organização da cidade em bairros, reconhecida legalmente, é um fator importante para o desenvolvimento econômico e social, como também um parâmetro para o planejamento. E que essa subdivisão deve ser revista na discussão do próximo Plano Diretor do município.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) dividiu o município para o Censo Demográfico de 2000 em 391 setores censitários. "O Cafezal juntou 12 setores censitários, o centro histórico tem 32 setores censitários e o Vivendas do Arvoredo ficou com um só setor censitário", aponta a professora.

O Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina) também reestruturou essa divisão, agregando os setores censitários em 55 bairros. "O Ippul já vinha fazendo essa proposta de reorganização dos bairros desde 1996, com o objetivo de facilitar o planejamento e identificação de cada lugar da cidade", aponta. "Pela proposta do Ippul, houve a junção de vilas, jardins e bairros tal e qual em cidades médias e grandes existem subprefeituras. A cidade tinha um emaranhado."

Imagem ilustrativa da imagem IDENTIFICAÇÃO - Ippul divide Londrina em 55 bairros



A gerente de Trânsito do Ippul, Cristiane Biazzono Dutra, explica que o proprietário de uma área que pretende nomear o empreendimento deve entrar com processo no Ippul para receber as diretrizes daquela nova área, respeitando a lei de sistema viário que faz parte do Plano Diretor de Londrina. Depois de aprovada, ele deve ir à Secretaria de Obras, na diretoria de loteamento, com o nome do loteamento. "O loteamento em si é o loteador que aprova o nome junto à Secretaria de Obras. O loteamento só não sai com nomes de ruas e avenidas, pois as vias continuam com códigos recebidos pelo Ippul, como rua a e b e avenida 1 e 2. Posteriormente a aprovação desse loteamento, a Câmara de Vereadores é quem vai dar nome a essas ruas e avenidas", explica.

Ela afirma que esse fato não significa que aquilo seja tratado como bairro. "O Ippul acaba tratando o loteamento como parte de um conglomerado de vários loteamentos. O instituto fez um estudo de junção de mais de quase 900 localidades existentes na cidade em cerca de 55 bairros, um processo interno para facilitar os nossos processos de planejamento de cada região. A Vila Nova, por exemplo, é formado por vários pequenos aglomerados, mas a rigor nenhum deles se chama Vila Nova. O trâmite que acontece no Ippul é de diretriz de loteamento, que ainda segue tramitando como número de lote, e não com o nome", explica.

Dutra destaca que existe o Siglon, que é um sistema de informações geográficas da Prefeitura de Londrina e que está acessível para todos.

Companhia de habitação adota as duas denominações



O diretor financeiro da Cohab-Ld (Companhia de Habitação de Londrina), Antonio Lucimar Ferreira Luiz, explica que a adoção de nomes populares em detrimento aos oficiais era mais comum no passado e que dificilmente ocorre atualmente. "Quando sai o loteamento já falamos que o empreendimento é tal e o nome é tal e todos já saem com o nome correto", aponta.

Luiz explica que Cohab adota as duas denominações, tanto a oficial quanto a popular. "É uma facilidade que a própria população utiliza e que a Cohab teve de assimilar", ressalta. Ele acrescenta que é comum que a comunidade "adote" o nome de um bairro vizinho maior. É o caso do bairro Garça Real, mais conhecido como jardim Santiago.

O presidente do Sindicato dos Taxistas de Londrina, Antônio Pereira da Silva, afirma que hoje não há dificuldade em achar bairros conhecidos pelos nomes populares. "Se saímos para fazer uma corrida usamos o GPS e fica fácil de achar. Antes da adoção do GPS a gente usava pontos de referência ou um guia de endereços para se posicionar", aponta.

Segundo o gerente de atividades externas dos Correios, Matheus Ricardo Bassetto, os carteiros se pautam pelo CEP. "Nunca usamos a referência geográfica. Se houver dezenas de bairros pode ser que o nome do bairro facilite para dar uma direção, mas em geral os carteiros formatam a distribuição da correspondência de acordo com um conjunto de logradouros." (V.O.)

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