Da criação do puxador de gaveta de uma escrivaninha, passando por embalagens e rótulos de produtos no supermercado, escovas de dente, carros e chegando até peças de turbinas de um avião, o desenho industrial está presente no cotidiano. Mesmo a área de saúde pode utilizar a computação gráfica para realizar simulações e criar peças de reconstrução de um maxilar quebrado, por exemplo. É por isso que a formação do profissional do ramo deve ser respeitada e levada em consideração na hora de se contratar os serviços de um designer.
Como a profissão ainda não é regulamentada, há espaço para que qualquer pessoa atue como designer. A regulamentação poderia trazer profissionalização ao ramo e ser benéfica não só para os profissionais como para a sociedade. Um rótulo de produto com informações adequadas tem maior apelo de venda e respeita os direitos do consumidor. Mesmo assim, especialistas em informática ou gráficas sem profissionais do ramo acabam por oferecer serviços de criação de logomarcas, páginas de Internet ou embalagens, o que a coordenadora do curso de Desenho Industrial da Unopar, Lilia Rodrigues, considera equivalente à automedicação. ''Depois a empresa vai mal no mercado e não se sabe por quê'', completa.
Em Londrina, são dois cursos de graduação na área. Na Universidade Estadual de Londrina (UEL), a habilitação é específica para programação visual, setor responsável pela relação entre imagem e texto aplicada a meios de comunicação, como a identidade visual de uma empresa, embalagens e manuais ou placas de informação. Já na Universidade Norte do Paraná (Unopar), o curso de Desenho Industrial também oferece habilitação para o design de produtos, além do gráfico, o que prepara o profissional também para dar forma a bens de consumo, como móveis ou eletrodomésticos.
Outra opção são os centros de treinamentos em computação gráfica, como o Tecnocad em Londrina. O coordenador do curso, Sérgio Rodrigues Campinha, defende que, caso a pessoa não opte pela formação universitária, deve ao menos procurar formação completa na área. ''Não adianta fazer um curso de Photoshop ou de design de sites de Internet se a pessoa não tiver noção prévia de desenho, por exemplo'', afirma Campinha.
Campinha considera Londrina uma cidade com maior incidência de empresas prestadoras de serviço do que indústrias, o que facilita mais o mercado para profissionais de programação visual do que de design de produtos. Porém, Lilia lembra que a região metropolitana conta com um bom número de indústrias de refrigeração, moveleiras, de embalagens e, em menor quantidade, de equipamentos.
Lilia considera que o mercado de trabalho para a área está em expansão na cidade. Mas afirma que cerca de 50% dos alunos formados pela Unopar vão para outras cidades, entre pessoas que buscam especializações, voltam para suas cidades ou procuram emprego em outros centros. Outro motivo que leva a esse êxodo é a falta conhecimento por parte do empresariado londrinense sobre o ramo. ''O mercado em Londrina ainda não é o ideal porque muitos empresários ainda não se deram conta da importância do design para uma empresa'', define a coordenadora do curso de Design Gráfico da UEL, Cristiane Verbetto.

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