''Muito prazer, sou o Batata''. Se esta frase não soou bem para algumas pessoas, para outras não é nenhuma novidade. E para perceber que tem muita gente acostumada a ser chamada mais pelo apelido do que pelo próprio nome não é preciso ir longe. Basta chegar em uma mesa de bar, roda de amigos, time de futebol ou até nas salas de aula.
Nota dez em adotar apelidos, os estudantes da Escola Estadual José de Anchieta, no Centro, soltam a língua para falar do assunto. ''O apelido não surge do nada. Tem que ter uma história interessante por trás'', explica Alisson José de Oliveira, de 14 anos.
Ele afirma que todos os seus colegas só associam a pessoa ao nome quando citam o ''Tio Bomba''. ''Eu sempre gostei de soltar bombinhas e dizem que sou meio fortinho. No início achava que não tinha nada a ver, mas não teve jeito, o apelido pegou'', diz o estudante, que não se incomoda. ''Até prefiro que me chamem assim, pois tem outros Alissons na minha sala e pelo apelido, todo mundo já sabe de quem se trata'', ressalta.
Para o professor Paulo Roberto de Carvalho, do Departamente de Psicologia Social e Institucional da UEL, mestre em Psicologia Social e doutor em Psicologia Clínica, existem dois aspectos a serem considerados no que se refere a apelidos. Primeiro, é quando ele é dado na infância. ''Antes da adolescência, o apelido tem uma forte presença no ambiente familiar e geralmente possui teor afetivo. Somente quem é da família ou muito próximo é que utiliza o apelido'', explica.
Como o exemplo da estudante Mayara Rosa, de 15 anos, que admite gostar do apelido que carrega desde o berço. Conhecida como ''Rosinha'' por amigos, familiares e colegas de classe, ela afirma que se trata de uma maneira carinhosa de ser chamada. ''Desde pequena meu pai me chamava assim. Prefiro o apelido do que meu próprio nome, pois todo mundo só me conhece por Rosinha'', diz.
Segundo o psicólogo, passando para a adolescência, o apelido continua sendo utilizado quase que somente pelos membros do novo grupo afetivo dos jovens. Porém, muitas vezes, o aspecto de afetividade do apelido perde espaço para a desqualificação, que ressalta características ditas negativas do sujeito, como por exemplo, a aparência física. ''Quando o apelido é desqualificado e estigmatizante, o sujeito muitas vezes enfrenta problemas sérios de ordem psicológica e social'', ressalta Carvalho.
Quem entende deste assunto é o estudante Felipe Bento, 14 anos. Ele diz que no começo, não gostava de ser chamado de ''Panetone'', mas com o tempo, acabou se acostumando. Ao ser questionado o porquê do apelido, ele logo justifica com bom humor. ''É porque eu sou fofinho'', brinca. Felipe não se importa com a brincadeira. Ele já aprendeu que quanto mais se reclama, maiores são as chances de o apelido pegar de vez.
Para os adolescentes, o apelido é como se fosse uma segunda identidade e por isso, é encarado ''numa boa''. Só não vale usar o apelido para ridicularizar os outros, conforme ensina ''Tio Bomba'': ''Todo mundo deve saber que se o apelido é maldoso e a pessoa fica incomodada, é melhor deixar quieto. Tem muita gente que não gosta, mas a maioria leva na brincadeira e tira vantagem disso''.

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