Adaptação da frota na área da saúde e do transporte escolar rural, exigência de adaptação também para o transporte escolar privado, sob risco inclusive de perder o alvará, formulação de uma lei municipal padronizando a construção de calçadas e criação de um setor na Fundação de Esportes de Londrina que trabalhe pelas atividades esportivas inclusivas nos bairros. Estas foram algumas das propostas para melhorar a acessibilidade definidas na III Conferência Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência, encerrada no sábado em Londrina.
Os participantes também vão pedir, em um documento a ser publicado e apresentado à prefeitura, a disponibilização de intérpretes em todos os eventos públicos e um acervo de livros digitalizados dentro da Biblioteca Pública Municipal. ''A educação é um setor em que ainda é preciso avançar muito, e a disponibilização de livros acessíveis é essencial para a formação do deficiente visual'', explicou Martinha Clarete Dutra, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CMDPD).
Sob o tema ''Igualdade, dignidade e participação da pessoa com deficiência: um novo jeito de caminhar'', a conferência ainda discutiu a criação de uma comissão permanente de acessibilidade multi-setorial, que avaliaria as ações de inclusão do município, fiscalizando inclusive os projetos arquitetônicos de construção e reforma de prédios de uso público (até mesmo condomínios residenciais), para que se adequem às necessidades das pessoas com deficiência.
Durante a conferência, também foram eleitos os 12 novos conselheiros do CMDPD, que, juntamente com outros 12 nomes a serem indicados pelo município no prazo de um mês, vão integrar o conselho no biênio 2007/2009 e escolher seu novo presidente. Após duas gestões, Martinha deixa a presidência comemorando várias conquistas em relação aos deficientes. Para ela, a terceira conferência encerrou uma fase de implementação e consolidação do Conselho para partir de fato para o desenvolvimento de um trabalho junto ao poder público em prol dos deficientes. ''Até então não havia um órgão que discutisse todas as deficiências e defendesse os direitos de todo o segmento.''
Martinha destacou a questão do transporte público como um dos segmentos que mais se desenvolveu desde a criação do CMDPD. ''Hoje, as pessoas com deficiência já saem sozinhas de casa, têm mais autonomia. É uma mudança de paradigma que se constrói aos poucos. A própria sociedade passa a vê-los com outros olhos. Há mais pessoas trabalhando, e algumas até sustentando famílias inteiras'', avaliou.

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