Atingir as metas estipuladas pelo Ministério da Educação (MEC) para o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) é, para muitas escolas municipais no interior do Paraná, a prova de que o investimento em projetos de leitura e no envolvimento de toda a comunidade escolar é o caminho para uma educação de qualidade.
Considerando que o Paraná apresentou a nota 5,4 (apenas 1 ponto a mais no resultado de 2009) em relação ao 4º e 5º ano do Ensino Fundamental, algumas escolas da região de Londrina têm motivos de sobra para comemorar o salto significativo no Ideb. Algumas delas contam com um importante parceiro nesse processo: o projeto Folha Cidadania, mantido pela Folha de Londrina.
É o caso da Escola Municipal Wilson Chamilete em Jataizinho (Região Metropolitana de Londrina) que de 4,2 em 2009, subiu para 5,2, revelando o potencial da instituição em investir no aprendizado mesmo quando se tem escassez de recursos.
''Há dois anos, a situação da escola estava complicada. Não tínhamos uma biblioteca atrativa e tivemos que intervir até no transporte dos alunos, pois muitos vêm da zona rural e precisavam caminhar até a escola porque o ônibus não parava aqui. Além disso, tivemos que resgatar a credibilidade dos pais em relação à escola'', comenta Vânia Patrícia dos Santos, diretora há 2 anos.
Com 290 alunos na Educação Infantil e Ensino Fundamental, a direção da escola acredita que a base principal para que os alunos tenham interesse no conteúdo e apresentem bons resultados na Prova Brasil (utilizada para calcular o Ideb) é o projeto de leitura que acontece dentro e fora da sala de aula.
''Uma vez por semana, nós estudamos aqui na biblioteca. A gente assiste um vídeo, tem teatro de fantoches ou então, cada um escolhe um livro para ler'', conta Ketlyn Mayara Aguiar Macedo, aluno do 4º ano, que se sente motivada a ir à biblioteca porque ''é um lugar lindo, toda enfeitada e com uma professora bem legal, que sabe contar histórias''.
Em sala de aula, a professora Leila Erley Cardoso Pires, responsável pela turma que fez a Prova Brasil no ano passado, defende a criatividade para estimular a leitura e trabalhar a interpretação de texto com os alunos. ''Para a aula ser dinâmica, trabalho com a Folha de Londrina e a prática de oralidade. Os alunos têm que escolher uma reportagem, discutir o assunto em casa e no dia seguinte, comentar para toda a turma'', explica Leila, ao comentar sobre o projeto Folha Cidadania, parceiro da escola há 8 anos.
Outro ponto que a direção da escola defende é a presença de duas professoras de reforço individual, que atuam durante as aulas e no contraturno. Segundo Vânia, esse trabalho possibilita atender os alunos que apresentam dificuldade de aprendizado.
Leitura em família
Em Rolândia (Região Metropolitana de Londrina), a Escola Municipal Maria Teixeira Georg também investe em atividades com livros, revistas e jornais para estimular a leitura dos alunos e o resultado disso é a nota do Ideb que de 5,7 em 2009, subiu para 6,3 em 2011. ''Trabalhamos muito em cima de exercícios que já haviam caído na Prova Brasil dos anos anteriores, mas o mais importante são as atividades de leitura, onde a família toda participa'', explica a professora do 4º ano, Marinês Liberatti.
A aluna Giovana Daurízio do 4º ano conta que a ''Sacola da Leitura'' é uma boa opção de estudo. ''Leio e escrevo tudo o que entendi para depois explicar para toda a sala. É legal porque aprendo e acabo lendo com minha irmã e minha mãe. A família fica mais unida'', conta.
A escola também é parceira do Folha Cidadania e há 12 anos, trabalha com as notícias do jornal em sala de aula. A professora Viviane Cossari do 5º ano, explica que aproveita as publicações para complementar o conteúdo pedagógico. ''Ajuda tanto na interpretação das crianças quanto no processo de alfabetização porque se trabalha com vários tipos de texto'', afirma.
Uma vez por semana, os alunos também têm a lição de ler uma notícia e repassar para os colegas de classe no dia seguinte. ''Eles gostam pois sempre estão me lembrando que é dia de ler o jornal, mas isso também se deve à visita que eles fizeram à redação e ao parque gráfico da Folha neste ano. Eles adoraram'', comenta.

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