A infinidade de telefones de serviço e entretenimento surgidos no mercado continua dando muita dor de cabeça aos usuários. Reclamações de pessoas assustadas com as contas telefônicas constantemente chegam à Sercomtel S/A. As alegações são sempre as mesmas: os telefonemas foram dados por crianças ou, simplesmente, ninguém na casa ligou para os números cobrados.
A aposentada Idalina Pivaro Gelamo é um exemplo de usuário que recebeu uma ‘conta-fantasma’. Ela mora sozinha, numa casa da rua Taquari, vila Recreio (área central). ‘‘Moramos eu e Deus’’, como gosta de dizer. Há quase 30 anos, época em que o marido ainda era vivo, comprou em prestações uma linha de telefone, que hoje utiliza apenas para falar com os filhos em Londrina ou com parentes de Taubaté, interior de São Paulo. Mesmo assim, ela não deixa conversa se estender por muito tempo: só fala o essencial para não comprometer a conta no final do mês, que sempre pagou religiosamente, sem atrasar.
Mas oito meses atrás, aproximadamente, dona Idalina teve uma surpresa nada agradável quando recebeu a fatura da Sercomtel: ligações internacionais, mais precisamente para Israel. ‘‘No começo a gente até desconfiou de um vizinho que tem celular, em frente, e que poderia estar caindo na minha conta. Mas não era’’, afirma. O pior é que a situação se arrastou por mais alguns meses e ela continuava a receber na conta ligações de Israel.
Dona Idalina procurou a Sercomtel, subiu e desceu escadas, falou com todo mundo que podia verificar o que estava acontecendo, mas não houve jeito: a empresa alegava que não tinha como estornar os valores emitidos na conta e ela teria que pagar, sob risco de perder a linha. ‘‘Meu negócio foi feio. Eu encontrava os conhecidos nos ônibus, indo para lá, e eles diziam: ‘De novo, dona Idalina!’. Cheguei a ir à Sercomtel duas vezes em um dia.’’
Há dois meses, cansada da peregrinação e com uma dívida de quase R$ 100, ela acabou pagando a conta. ‘‘Paguei com dificuldades, meus filhos tiveram que ajudar’’, explica. ‘‘Agora, se acontecer de novo, eu não vou pagar mais. Eu vou procurar as autoridades e se precisar vou até Brasília, mas não vou pagar’’. Na última fatura, a que corresponde ao mês de outubro, não veio nenhuma ligação para Israel na conta da aposentada.

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