O Instituto do Câncer de Londrina (ICL) recebeu ontem, da empresa de telefonia Sercomtel, um terreno de 1,1 mil metros quadrados para a construção do Centro Infantil de Terapia Oncológica. Apesar de ser um hospital de referência para 117 municípios da região, o ICL não dispõe, atualmente, de espaço específico para atendimento de crianças com câncer.
Localizado atrás do prédio do ICL, no Jardim Petrópolis (Zona Sul), o terreno foi adquirido pela Sercomtel em 1987, destinado à ampliação de uma central telefônica. A empresa acabou abandonando o projeto, alegando que a evolução tecnológica tornou desnecessário o uso do terreno para abrigar equipamentos de telefonia, cada vez menores. Em 1989, a área foi emprestada para o ICL, que até hoje a usa como depósito.
''Fizemos vários leilões de terrenos vazios que a Sercomtel possui na cidade, mas não tivemos muito sucesso. Como o ICL vinha solicitando essa área no Jardim Petropólis há cinco anos, destinado ao atendimento infantil, resolvemos fazer a doação'', afirmou o presidente da Sercomtel, João Rezende. Segundo ele, a Comissão de Avaliação do Munícipio orçou a área em R$171 mil. A Sercomtel é proprietária de mais oito terrenos sem utilização. Para estes, Rezende disse que não há planos de doação.
O presidente do ICL, Nuno Ballalai, comentou que o hospital não teria condições de comprar o imóvel, assim como não poderá arcar com a construção do centro infantil. ''Não temos recurso para nada. Vamos apresentar o projeto do centro para o Ministério da Saúde (MS) e buscar as verbas por meio de programas de humanização dos hospitais da rede do SUS (Sistema Único de Saúde)'', assinalou. Ballalai calculou que somente a obra deverá custar, no mínimo, R$500 mil.
O ICL atende hoje cerca de 1,8 mil adultos e 125 crianças, de acordo com a assessora da diretoria, Mara Fernandes. Ela ressaltou que, apesar da falta de um local específico para crianças, o hospital conseguiu aumentar o índice de cura do câncer infantil de 15%, em 1989, para 80% nos dias atuais. ''As crianças precisam de um espaço só delas porque se comportam de forma diferente em relação à doença. Elas brincam, tomam soro assistindo desenhos na TV.''

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