ICL ganha nova ala pediátrica
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terça-feira, 25 de outubro de 2005
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Doença não é brincadeira, mas quem foi que disse que a vida de crianças que enfrentam tratamentos prolongados e, muita vezes, com grandes doses de sofrimentos, não pode incluir a diversão mesmo no ambiente hospitalar?
Acostumadas à rotina de sessões de quimioterapia e internações para o tratamento de neoplasias e leucemias, as crianças que fazem tratamento no Instituto de Câncer de Londrina (ICL) ganharam ontem uma ala só para elas.
Além dos 14 leitos inaugurados, com a ajuda dos mais de 40 voluntários e da comunidade londrinense e da região, a ala pediátrica conta com uma brinquedoteca, onde os cerca de 130 pequenos pacientes poderão brincar, enquanto esperam pelos procedimentos.
Minuaturas de macas, camas e carrinhos de remédios, doados pela Unopar, são apenas alguns dos brinquedos da brinquedoteca, conseguidos com a colaboração do voluntariado.
''As minuaturas de móveis e objetos do dia-a-dia hospitalar ajudam as crianças a enfrentarem a rotina do tratamento, já que se familiarizam com o ambiente'', ressaltou a diretora do Centro de Educação da Unopar, Leila Godoy, ressaltando que alunos dos cursos de Pedagogia e Enfermagem farão estágio na unidade pediátrica.
A estrutura da nova ala do hospital conta ainda com uma sala de quimioterapia exclusiva para as crianças que, anteriormente, dividiam espaço com os adultos.
''Com a nova ala atenderemos tanto os pacientes que estão internados, como os que vêm fazer exames. A nossa intenção no futuro é implantar serviços de pequenas cirurgias e instalar consultórios para o atendimento exclusivo das crianças'', explicou a gerente do serviço de enfermagem do ICL, Regina Adário, acrescentando que a ala pediátrica, incluindo a decoração com motivos infantis, ajuda a tornar o tratamento um pouco menos doloroso.
A coordenadora do voluntariado, Dilza Dequech, ressalta a importância da colaboração da comunidade na criação do espaço , onde, anteriormente à crise financeira, que levou ao fechamento do quarto andar do prédio por dois anos, ocupado agora com a nova ala, funcionava o setor de convênios do hospital.
''Tudo foi doado. Graças à comunidade que isso se tornou realidade'', destacou Dilza, lembrando que antes as crianças contavam apenas com quatro quartos, aumentando a área reservada à pediatria para oito quartos.
''No total teríamos a disponibilidade de ampliar para 17 quartos de pediatria. Estamos inaugurando esses oito porque dependemos de mais doações de coisas simples como colchões, lençóis, cobertores'', completou a coordenadora do voluntariado.
Mensalmente, o ambulatório do ICL atende 2.700 pacientes, sendo que 90% são do Sistema Único de Saúde (SUS).
Uma média de 2.000 pacientes estão em tratamento no hospital, que luta para superar a crise financeira, que no auge era responsável por um déficit mensal de R$ 250 mil.
''Atualmente trabalhamos com um déficit de R$ 160 mil. A redução nesses valores foi importante, graças à colaboração da comunidade'', afirmou o diretor-presidente do ICL, Nelson Dequech.
Ex-paciente do hospital, o estudante Celso Anselmo de Lima, 19 anos, iniciou um tratamento contra uma leucemia aos 10 anos, recebendo alto há cinco anos.
Atualmente, o rapaz é jogador de handebol, levando uma vida como qualquer adolescente.
Ontem, o rapaz estava no hospital para acompanhar um amigo que, recentemente, descobriu estar com a doença. Ele comemorou a inauguração da nova ala pediátrica.
''Na nova ala, o tratamento será melhor para as crianças que, como eu, perdem a infância dentro do hospital'', avaliou Lima.
As mães que acompanham os filhos no ICL também gostaram da novidade.
''As nossas crianças precisam de ajuda. Elas estão doentes, mas é muito importante o apoio e o carinho da comunidade'', afirmou Edna Celina Spoladore, mãe de Mônica, uma menina de oito anos e que há um ano e cinco meses enfrenta o tratamento contra a leucemia.
Ontem, durante a inauguração, a menina não queria saber de outra coisa, que não fosse brincar.


