Icaraíma reclama do precário atendimento em posto de saúde
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2003
Vânia Moreira<br>Equipe da Folha 
Icaraíma - Moradores de Icaraíma (76 quilômetros a noroeste de Umuarama) estão revoltados com as precárias condições de atendimento do posto de saúde 24 horas e querem a reabertura da Policlínica São Lucas, fechada no início do ano. A comunidade reclama que o posto de saúde não tem estrutura para atender casos de urgência e emergência e dispõe de apenas seis provisórios. Com isso, os pacientes que precisam de internação ou cirurgias têm de ser encaminhados para Douradina, distante 60 quilômetros, ou Umuarama.
N último dia 30, o aposentado Itio Yamashita morreu de infarto. O remédio que ele precisava tomar não tinha no posto e a família teve de buscar no hospital fechado. Segundo uma das filhas de Itio, Kazuko Yamashita, a família já estava se mudando da cidade por causa da falta de estrutura hospitalar, mas não deu tempo. Em outro caso, o deficiente Adriano Gouveia teria tomado colírio no lugar de remédio para vômito. Segundo um vizinho de Adriano, o erro dos funcionários do posto foi descoberto quando a família tentou comprar o remédio numa farmácia.
Um dos três plantonistas do posto, o médico Guilherme Tured, confirma a falta de estrutura para atendimento. ''Se chegar uma gestante em trabalho de parto avançado e precisando de uma cesariana urgente não podemos fazer. E há o risco de não dar tempo de chegar a Douradina. O mesmo pode acontecer com qualquer outro caso grave'', alerta o médico. A situação já foi informada ao Conselho Regional de Medicina (CRM), para prevenir denúncias de omissão de socorro ou negligência contra os médicos.
Esta semana, um grupo de moradores propôs ao prefeito Valter Salles Zampieri (PFL) a criação de uma associação sem fins lucrativos para reativar e administrar o hospital, na tentativa de contornar as divergências políticas que teriam motivado o fechamento do estabelecimento. Segundo um dos porta-vozes da proposta, o estudante Alexandre Gregório, os donos da Policlínica São Lucas cederiam gratuitamente a estrutura para uma entidade independente. ''Dependeríamos da prefeitura firmar convênio com a associação para reabrir o hospital'' - afirmou.
Segundo Gregório, o prefeito ficou de discutir a proposta com a Câmara e o Conselho Municipal de Saúde. Ontem, Zampieri estava em Curitiba e, segundo a secretaria municipal de Saúde, Claudete Rodrigues, somente ele poderia falar sobre o assunto. A intenção do prefeito seria construir um hospital municipal.
A policlínica fechou as portas em meados de janeiro depois que a prefeitura cancelou o convênio. Zampieri alegou que o hospital queria muito dinheiro (R$ 10 mil mensais) para atender o município. Um dos sócios, o médico e ex-prefeito Osni Sérgio dos Santos, disse que a prefeitura vai gastar mais e a população continuará mal assistida.


