Peritos do Instituto de Criminalística de Londrina já descobriram o que causou o incêndio do Teatro Universitário Ouro Verde, ocorrido no dia 12 de fevereiro. De acordo com o chefe da 1 Subdivisão Técnica do Interior do IC, Luís Noboru Marukawa, há 90% de certeza sobre a origem do fogo que destruiu a parte interna do teatro, porém sem dar detalhes. ''Se o laudo técnico das amostras (coletadas no interior do imóvel) ficar pronto até o meio da semana, acredito que na sexta-feira pela manhã poderemos divulgar o resultado da perícia'', afirmou Marukawa.
As amostras deve indicar se houve substâncias que aceleraram a queima do fogo, como o uso de hidrocarbonetos (gasolina, óleo). Segundo Marukawa, existem indícios de óleo dentro do Ouro Verde, mas ele não quis informar se eles estavam nos pontos de origem do fogo. A coleta do material foi realizada nos prováveis focos de incêndio e serão determinantes para saber se o incêndio foi criminoso ou não.
''O resultado do laboratório irá complementar toda a investigação que foi feita por aqui'', relata. Sobre a possibilidade de alguém ter utilizado álcool, que não é um hidrocarboneto e volatiliza rapidamente, ele acha que a possibilidade é mínima. ''Fica nos outros 10% de possibilidades que serão comprovadas com o laudo de Curitiba'', explicou o perito.
Imagens
Depois de duas tentativas frustradas a equipe do IC finalmente conseguiu ontem à tarde tirar fotos do alto do Ouro Verde utilizando um caminhão Munck emprestado da Universidade Estadual de Londrina (UEL). ''Essas fotos servirão para ilustrar o laudo técnico do Instituto de Criminalística e torná-lo mais compreensível, pois o material será acessado por peritos e por leigos'', relatou Morikawa.
Segundo o fotógrafo Daniel Procópio, que realizou o trabalho para o IC, Marukawa solicitou fotos de detalhes das paredes e da estrutura da cobertura que desabou. ''Com base nessas imagens as pessoas leigas poderão compreender como foi a dinâmica do incêndio, inclusive como aconteceu o desabamento da estrutura'', explicou Marukawa. O material será anexado ao inquérito policial e também será encaminhado ao Ministério Público, que decidirá se arquivará o processo ou não.
O perito afirmou que nos próximos dias será feito um pedido para a remoção de pequenas partes localizadas na ponta superior do imóvel, que correm o risco de desprenderem e causarem um acidente.
O professor Humberto Yamaki, membro do conselho do Patrimônio Histórico e Artístico do Paraná, acompanhou o trabalho da perícia ontem à tarde e disse que a preservação da fachada é importante para a recuperação do prédio.
A diretora de Obras e Manutenção da UEL, Tânia Maria Galão Pessoa, relatou que as telhas removidas para a realização das fotos permanecem dentro do teatro. Ela disse que realiza pesquisas sobre empresas especializadas para retirar o restante dos escombros, mas que o trabalho ainda não possui data para começar.

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