Ibiporã precisa plantar 31 mil árvores. Foi o que apontou o primeiro censo arbóreo feito no Paraná e apresentado pela ONG Tudo Verde ao prefeito Alberto Baccarim na manhã de ontem. A secretaria municipal de Agricultura e Meio Ambiente havia solicitado a pesquisa com o intuito de criar um programa municipal de arborização.
Conforme o especialista em gestão ambiental Pablo Melo Fajardo, da Tudo Verde, a zona urbana de Ibiporã conta hoje com 12.575 árvores, uma média de uma árvore para cada 4,5 habitantes. ''A idéia é que as cidades contem com uma árvore para cada habitante como preconiza a Organização das Nações Unidas'', calculou. No Paraná, apenas Maringá chega mais próxima deste índice, com a proporção de uma árvore para cada dois habitantes.
Entre as espécies mais comuns encontradas nas ruas de Ibiporã, Fajardo citou aroeira salso, ligustro, magnólia amarela, oiti e sibipiruna. Ele encontrou ainda alguns exemplares bastante incomuns para a região, como pau-formiga, monguba e árvore-das-patacas, considerada exótica.
O estudo mostrou que o Centro e as zonas Leste e Oeste são as áreas mais arborizadas do município. Segundo o especialista, enquanto a região central abriga uma grande diversidade de espécies e árvores mais antigas, da década de 1960, o lado Oeste apresenta árvores mais jovens, ''por ter bairros mais novos''.
''Já a parte Leste agrega tanto árvores mais antigas, do tempo dos pioneiros, quanto árvores mais novas, o que mostra que a cidade tem crescido para este lado'', assinalou Fajardo. Segundo ele, a Zona Norte é a mais pobre em arborização, ''principalmente pela topografia e calçadas estreitas''.
Um ponto negativo apontado pelo diagnóstico foram as podas brutais. ''A população poda sem saber por quê, e a arborização tropical sofre muito com esta prática'', disse Pablo Fajardo. Para ele, é preciso educar o povo.
''A população tem que se conscientizar de que árvore não é enfeite e sim infra-estrutura bioclimática, que garante qualidade de vida e conforto térmico.'' A partir dos dados, o especialista sugeriu três ações imediatas para viabilizar a arborização da cidade: disponibilizar mais espécies para não perder a diversidade, coibir as podas brutais e combater pragas e doenças em árvores adultas.
De acordo com Fajardo, dados do Instituto World Watch, uma organização internacional que certifica a arborização dos municípios em todo o mundo, apontam que ao mesmo tempo em que as cidades ocupam apenas 0,5% da superfície do planeta, elas respondem pela emissão de 75% dos gases de efeito estufa, ''a maioria decorrente da queima de carbono dos carros'', informou.
Segundo ele, este dado explica por que o plantio de árvores nas áreas urbanas é tão importante. ''As árvores neutralizam o carbono antes de chegar à atmosfera e funcionam como um ar condicionado natural, protegendo as cidades do aumento de temperatura. É o elemento certo, no lugar certo, na hora certa'', resumiu.
A partir das informações coletadas, a Prefeitura pretende elaborar um projeto de lei que seja levado adiante pela próxima administração. ''Primeiro quisemos saber o que falta para depois, dentro do plano diretor, apontar as ações de arborização'', declarou o secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Ibiporã, João Wagner Rossi.
Conforme ele, a secretaria pretende buscar parceiros para a montagem de um trailer que deverá percorrer os bairros com o intuito de educar a população, em especial as crianças. ''Queremos levar informações sobre arborização e coleta de lixo e vamos começar pelos locais onde a seleção do lixo é mais difícil''.
A Prefeitura também irá incentivar o plantio de árvores, inclusive já disponibiliza um viveiro na própria Secretaria de Meio Ambiente, onde a população pode retirar as mudas gratuitamente. ''Já temos um projeto junto aos loteamentos no qual os construtores se responsabilizam em doar mudas de espécies escolhidas pela Prefeitura para o viveiro municipal'', ressaltou o prefeito Alberto Baccarim.

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