Ibiporã se articula contra criminalidade
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quarta-feira, 03 de novembro de 2004
Lúcio Flávio Moura<br> Reportagem Local 
Ibiporã A sociedade civil de Ibiporã (14 km a leste de Londrina) se levantou por uma causa: reduzir o número de homicídios na cidade e aumentar a sensação de segurança dos seus quase 45 mil moradores.
A articulação começou ontem em um reunião convocada pelo prefeito Nado Ribeirete (PSDB). A discussão da segurança pública tema recorrente pelas ruas, repartições, estabelecimentos comerciais e bares foi capaz de reunir dezenas de pessoas no gabinete do prefeito, entre eles o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial, Jurandir Gonçalves André.
Autoridades, líderes comunitários e religiosos, fizeram suas reivindicações e demonstraram que, além do problema do aumento no número de homicídios (19 na soma de 2002 e 2003 contra 17 apenas nos dez primeiros meses deste ano), existe uma sensação de insegurança na cidade, com boatos de tiroteios próximos a igrejas, arrastões no comércio e prática de tiro ao alvo em cemitério.
Depois de uma hora e meia de reunião, foi definido a criação de um fórum permanente de segurança pública (com reuniões mensais de representantes das polícias, da Justiça e do Ministério Público), a instalação do 197 (um disque-denúncia municipal, nos moldes do que já funciona em Londrina) e uma provável passeata para divulgar o novo recurso e para mobilizar a população contra a violência.
A primeira medida, no entanto, foi burocrática. Jurandir Gonçalves André, ao mesmo tempo que empossaria de forma interina a delegada Paula Francinete Rodrigues Nunes (que continua respondendo também pela Delegacia de Trânsito, em Londrina), que substitui Fátimo Siqueira (em licença médica pelas próximas semanas), faria um levantamento dos inquéritos em andamento. A pesquisa dará suporte para um prometido reforço na área de investigação. A idéia de Jurandir é deslocar equipes especializadas de Londrina para atuar nas próximas semanas nos bairros mais violentos.
O tenente Paulo Siloto, que comanda a PM local, fez um apelo para que a articulação resulte no aumento do número de denúncias. Jurandir lembrou que a divulgação do disque-denúncia em Londrina provocou um aumento no uso do serviço de 10 para 50 usuários por dia. Segundo levantamento da Folha, o número de homicídios em Londrina caiu de 193 em 2003 para 137 em 2004.
Outro ponto de convergência entre os participantes foi a reclamação sobre a lentidão da Justiça e do Ministério Público para se expedir e analisar a base de mandados de busca e apreensão, além de ordens para prisões temporárias. ''Já mapeamos o crime na cidade, mas sem ordem judicial não podemos fazer nada'', afirmou Siloto. Segundo ele, os últimos seis homicídios tem autoria conhecida mas ninguém foi preso. A maioria dos assassinatos é cometido por homens jovens, com antecedentes criminais e ligados ao tráfico de drogas. ''É um problema pontual. Não é tão difícil de combater'', interpretou o prefeito.
Uma reunião entre o prefeito, os comandos da Civil e da Militar, representantes do Ministério Público e da comarca deve ocorrer ainda esta semana.


