Ibiporã reforça ataque aos criadouros do Aedes
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sexta-feira, 11 de março de 2016
Simoni Saris<br>Reportagem Local
Ibiporã - A inclusão de Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina), nesta semana, na lista das 30 cidades paranaenses com epidemia de dengue fez a Secretaria Municipal de Saúde intensificar os trabalhos de remoção dos criadouros do mosquito Aedes aegypti. Todos os dias, são 52 agentes comunitários de saúde nas ruas, além de 27 agentes sanitários e outros 15 agentes contratados temporariamente para atuar no combate à dengue.
Em um mês, todos os 25 mil imóveis do município devem ser visitados. Desde janeiro, a cidade registrou 1.065 notificações de casos de dengue, das quais 245 foram confirmadas e 860 estão sob investigação.
O coordenador de Endemias da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Augusto Loredo, ressaltou que as ações de combate ao mosquito transmissor da dengue já haviam sido reforçadas no final do ano passado, quando o município identificou, pelo elevado número de notificações, que a epidemia de dengue já estava instalada. "Por volta de outubro, novembro, intensificamos o trabalho de campo. As visitas aos 25 mil imóveis, que demoravam dois meses para serem concluídas, passaram a ser feitas em um mês. A gente já tinha noção de que a epidemia estava instalada e isso só se confirmou com os resultados dos exames feitos pelo Lacen [Laboratório Central do Estado] e divulgados agora. Como os exames são todos centralizados no Lacen, demora demais", disse. O coordenador estima que dos 860 casos sob investigação, em torno de 30% serão confirmados.
Com o anúncio oficial da situação de epidemia no município, a secretária municipal de Saúde, Leilaine Furlaneto Rodrigues, disse que além do trabalho realizado pelos agentes, ainda foi reforçada a aplicação de veneno com bomba costal e a Secretaria de Saúde conseguiu o apoio das secretarias de Obras e Meio Ambiente e do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) na limpeza pública.
A comunidade, disse a secretária, também tem se mostrado disposta para organizar mutirões de limpeza nos bairros. "A gente não quer que aconteça nada mais grave com alguém do município. É preciso combater o mosquito antes de nascer, por isso a parte principal é a remoção de criadouros e isso todo mundo pode fazer. Retirar os possíveis criadouros depois de cada chuva não leva mais do que dez minutos."
Ontem de manhã, os agentes vistoriaram as casas e terrenos vazios da Vila Romana e do Jardim São Rafael, na zona oeste da cidade. Em uma das casas, focos do mosquito foram encontrados na dobra da lona que fica sob a piscina portátil instalada no jardim. "Nem imaginava que pudesse ter dengue ali", disse Sônia Pelison, que ontem cuidava da casa da tia, a dona do imóvel. "Na minha casa passei dois dias sem trocar a água do passarinho e, quando fui trocar, tinha dengue no copinho. Deu dengue no meu marido e na minha filha, pensei que ela ia morrer. A gente cuida, mas não pode bobear."
Na residência de Cristiane Vidal estava tudo certo, mas a preocupação dela é com o terreno vazio que fica bem em frente. "Estou sempre cuidando do meu quintal porque tenho duas crianças. Depois de cada chuva eu olho tudo para ver se não ficou água parada e quando lavo aqui dentro, tiro bem a água para não formar poças. Mas vem muita gente jogar lixo no terreno aí da frente. De vez em quando eu entro, tiro tudo o que encontro que possa ser criadouro do mosquito. Quando saio nas ruas também vou recolhendo todo tipo de lixo que possa acumular água, mas é difícil."
Segundo o coordenador de Endemias, a situação é preocupante porque o mosquito Aedes aegypti demonstra adaptação aos métodos tradicionais de combate, que vêm perdendo a eficácia na suspensão da circulação do vírus nos meses mais frios e secos, quando a infestação do mosquito costuma ser menor. "Os métodos hoje não são tão efetivos como eram há alguns anos. É preciso que surjam novas tecnologias de combate ao mosquito senão vamos só manter as coisas como estão", disse Loredo.
Para o coordenador, uma forma de reduzir a circulação do vírus seria voltar a aplicar o fumacê, mas o veneno está em falta. Loredo compara os dados de 2014 e 2015 para reforçar a importância do fumacê. No inverno de 2014, quando o fumacê foi utilizado em Ibiporã, o município registrou dois casos de dengue entre setembro e novembro. No ano passado, quando a aplicação do veneno não foi feita, foram mais de 50 casos no mesmo período.
A reportagem da FOLHA tentou contato com a chefe da 17ª Regional de Saúde, Terezinha de Fátima Sanchez, mas ela não foi localizada.