Ibiporã - O primeiro transplante de córnea de Ibiporã foi realizado ontem no Hospital Cristo Rei, que agora possui o credenciamento para esse tipo de intervenção. A paciente, uma mulher de Apucarana de 35 anos, sofria de ceratocone - uma distrofia que provoca astigmatismo progressivo, diminuindo a capacidade de visão - há sete anos. Ela estava desde novembro na fila e agora voltará a enxergar. A córnea veio da cidade de Cascavel (Oeste).
O oftalmologista que realizou a cirurgia, Marcelo Gameira, disse que o transplante de córneas exige cuidados e a cirurgia é cheia de detalhes. ''No entanto, como o órgão não tem vascularização, não há necessidade de se fazer teste de compatibilidade. As chances de sucesso da cirurgia chegam a mais de 90%.''
Gameira explica que em seis meses a paciente poderá voltar às atividades. ''Nesses primeiros meses, ele deve evitar qualquer tipo de trauma, com a prática de exercício, por exemplo. Depois disso, é vida normal.'' Rosângela Belenki, a receptora da córnea disse que estava enxergando bem pouco. ''Estou animada para voltar a ver tudo novamente.''
Ainda segundo o médico, a doença é a maior causa de transplantes de córnea. ''Aproximadamente dez pessoas por dia morrem somente na cidade de Londrina. Se duas doassem suas córneas, em dois meses a fila de transplante acabaria. Existe fila porque faltam órgãos para os transplantes. E faltam órgãos porque ainda falta divulgação'', comentou.
Diante da declaração do especialista, a secretária municipal de Saúde, Leilaine Furlaneto Rodrigues, informou que cidade irá realizar uma campanha de divulgação e conscientização para aumentar o número de doadores. ''Vamos buscar informações em cidades que conseguiram acabar com suas filas de espera, como é o caso de Sorocaba, em São Paulo.''
A secretária reforça dizendo que este é um momento histórico para a cidade. ''Todos os moradores locais que estiverem na fila regional por uma córnea serão orientados agora a procurar a unidade'', completa.
Consentimento
Cerca de 650 pessoas estão na fila de espera por algum órgão na Central Regional de Transplantes, cuja sede é em Londrina. Destas, 134 estão à espera de córneas, 508 de rins e oito de coração. Em Londrina, são realizados transplantes de córnea, rim, ossos e coração. Uma pessoa pode ser doadora para até 25 pessoas (se for autorizada a doação dos ossos) e até oito pessoas se a doação for de córneas, coração, rins, pâncreas, fígado e pele.
O passo principal para a pessoa se tornar um doador é conversar com a família e deixar bem claro o desejo. Não é necessário deixar nada por escrito. Porém, os familiares devem se comprometer a autorizar a doação por escrito após a morte. No Brasil, a doação só acontece com o consentimento dos familiares. A doação de órgãos é um ato pelo qual você manifesta a vontade de que, a partir do momento da constatação da morte encefálica, uma ou mais partes do seu corpo (órgãos ou tecidos), em condiçães de serem aproveitadas para transplante, possam ajudar outras pessoas.

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