Ibiporã quer consumo responsável da água
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sexta-feira, 02 de novembro de 2007
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Conhecer experiências positivas para tentar adequá-las e implantá-las em outras localidades. Foi com este espírito que a turma que frequenta o MBA em Ciências Políticas e Desenvolvimento Estratégico oferecido pela Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (Adesg) em Londrina visitou as instalações do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) de Ibiporã no último sábado. Na semana passada, a autarquia deu início às obras de construção de uma rede que até julho de 2008 deverá distribuir para toda a população água mineral retirada do Aquífero Guarani. A novidade trouxe um desafio: conter o desperdício.
Durante a visita técnica, os adesguianos tiveram acesso a dados diversos do Samae, que hoje leva redes de água e esgoto aos mais de 48 mil moradores de Ibiporã cobrando uma das menores tarifas do Estado (R$ 10,00 para cada 10 metros cúbicos de água consumidos e R$ 6,00 de taxa de esgoto). A autarquia abastece 100% das casas com água tratada e capta o esgoto, que é integralmente tratado, de 98,6% das casas.
O último passo do Samae é levar água mineral às torneiras de Ibiporã. Na semana passada, a autarquia deu início ao projeto orçado em R$ 5 milhões para construção da rede. Atualmente, a água que abastece a população é retirada do rio Jacutinga - manancial que nasce em Cambé e atravessa áreas industriais da Zona Norte de Londrina até chegar em Ibiporã. Os poços para captação diretamente do Aquífero Guarani - depósito subterrâneo que se estende de Goiás até o Uruguai - ficam no Conjunto Pedro Morelli, de onde deve partir a tubulação.
''A água mineral vem de 500 metros de profundidade, é totalmente orgânica, é bicarbonata, tem a quantidade ideal de flúor, é surgente (não precisa ser bombeada) e vai chegar nas casas a uma temperatura entre 27 e 28 graus'', destacou o prefeito Alberto Baccarin. Por isso, ele afirmou que a tarifa pode cair ainda mais no município a médio e longo prazos.
Baccarin garantiu que o projeto seguiu orientação técnica da Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Sudhersa) e que não oferece riscos ao aquífero. O volume captado também não desequilibra o aquífero. Para implementar o consumo racional do recurso, o prefeito disse que serão feitas campanhas educativas e de esclarecimento junto à população. Atualmente, o índice de desperdício da água tratada pelo Samae é de 27,4%. Num dos momentos altos da visita, os adesguianos assistiram a uma animação de como o mundo poderá ser em 2070 se os recursos naturais não forem preservados: pessoas tendo acesso a um único copo de água por dia; recebendo galões do recurso como salário; sociedades inteiras sobrevivendo em verdadeiras bolhas por causa da poluição; doenças de pele e gastrointestinais matando milhões de pessoas.
O representante da Adesg em Londrina, Flaubert Semprebom, ressaltou que uma das preocupações da associação é justamente conhecer ações bem-sucedidas e, com base nelas, construir e elaborar projetos de Estado, ''não de Governo'', visando compartilhar os benefícios. ''No decorrer do curso, os alunos elaboram projetos que depois são encaminhados para as autoridades competentes'', apontou. ''Queremos mostrar vias alternativas de políticas'', completou. Ele exemplicou que, recentemente, o ministro da Agricultura Reinhold Stephanes, ministrou palestra à turma do curso sobre a questão agrária no Brasil.
A Adesg está em Londrina desde 1969 e hoje soma mais de 700 membros. Em todo o Brasil, já passaram pela Associação presidentes, governadores, empresários reconhecidos nacionalmente, intelectuais de renome, entre outros.


