ATENDIMENTO -

Ibiporã prepara abrigo emergencial para moradores em situação de rua

Serviço deve começar este mês e será oferecido até dezembro; secretaria calcula que município tenha cerca de 35 pessoas que vivem nas ruas ou estão de passagem pela cidade

Pedro Marconi - Grupo Folha
Pedro Marconi - Grupo Folha

Um acolhimento emergencial para moradores em situação de rua em Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina) deverá entrar em funcionamento até o final de julho. Um ginásio de esportes no jardim Pérola está sendo estruturado para receber este público. A secretaria de Assistência Social calcula que 25 pessoas vivam nas ruas da cidade de maneira fixa e cerca de outras 15 utilizem a localidade como passagem.


Ginásio de esportes no jardim Pérola passa por adaptação para abrigar os moradores
Ginásio de esportes no jardim Pérola passa por adaptação para abrigar os moradores | Pedro Marconi - Grupo Folha
 




A ideia é de que o projeto “Mãos que Acolhem”, recém-lançado, funcione de maneira provisória no ginásio até dezembro. “É uma ação para receber esta população vulnerável neste tempo de pandemia da Covid-19 e de frio",  destacou a responsável pela pasta, Iracy Sorge. Outras secretarias estão envolvidas na iniciativa, como Educação, Saúde, Esporte e Cultura. “Faremos testes do coronavírus e também um check-up.”


No centro emergencial as pessoas terão que cumprir um regimento e não poderão ficar andando pela vizinhança. A coordenação pretende ainda promover atividades para que eles se ocupem e incentivar a permanência no espaço.  "Vamos oferecer diversas tarefas, com telão para filmes, artesanato, música. Faremos de tudo para que fiquem neste espaço. Terá separação para homens e mulheres, lugar para lavar roupa, zeladoria para cuidar dos utensílios”, elencou. Vão ser distribuídos cafés, almoço e jantar.


ENTIDADES

A secretaria também pede auxílio junto a entidades que já exercem algum tipo de trabalho com a população de rua. Recentemente, representantes destes movimentos e da Assistência Social se reuniram para debater a unificação da atuação a partir do projeto. “A intenção é que todas as entidades concentrem a ajuda neste abrigo, porque se disponibilizarmos este espaço e eles continuarem recebendo alimentos e cobertores nas ruas, não vamos conseguir levá-los”, explicou.


Atendendo a população em situação de rua por meio de um movimento ligado à Igreja Católica, Maria de Fátima e Francisco Martins relataram que os moradores costumam ficar em grupos em frente do hospital Cristo Rei, praça central, bancos, além de bairros afastados. “Todos os dias uma família prepara e leva alimentos para eles. Temos uma escala, seja com membros do Focolares ou dos Grupos Bíblicos de Reflexão. Pelo menos uma refeição está garantida”, comentaram os coordenadores dos Focolares.


O casal disse que a responsabilidade, quando o projeto for colocado em prática, será colaborar para que os moradores retomem a autoestima e outros valores e sonhos que a rua acaba “retirando”. “Ouvimos diariamente para ficar em casa, mas eles não têm casa. Nosso objetivo é que fiquem o maior tempo no ginásio e, quando saírem, tenham orientação, porque podem adoecer ou transmitir a Covid-19”, refletiram. Os dois também coordenam um movimento denominado “Living Peace” (vivendo a paz). “Em Ibiporã, a ação pela paz se torna concreta ajudando os moradores de rua, os vendo como pessoas dignas de atenção, que podem almejar a felicidade”.


LICITAÇÃO

Durante a estadia no abrigo provisório, vão ser analisadas as possibilidades de aceso a benefícios sociais. As famílias dos moradores poderão ser contatadas. Iracy Sorge afirmou que o desejo é que eles não voltem mais para as ruas. “Muitos têm familiares em Ibiporã. É tentar estar mais próximo deles, fazendo abordagem, acolhimento, para conseguirmos tirá-los dessa situação. Hoje, temos assistente social que faz abordagem, mas não tem para onde encaminhar”, reconheceu.


Um edital deverá ser publicado para contratação de uma entidade, para que este trabalho seja institucionalizado e continue. Atualmente, o município não conta com nenhum abrigo para moradores de rua. “Temos entidades interessadas e com esta ação inicial conseguiremos um local definitivo. Ainda estamos fazendo panfletos para conscientizar a população a não dar esmolas. Todos precisam colaborar, pois o ‘Mãos que Acolhe’ não depende só da prefeitura, mas de toda a comunidade”, frisou.

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