A indefinição sobre o terreno a ser disponibilizado pela prefeitura de Londrina para a construção do Centro Provisório de Detenção pode levar a obra para outro município da região norte do Paraná. A confirmação partiu do secretário de Estado da Justiça e Cidadania, Aldo Parzianello, que pretende convocar os prefeitos de Cambé e Ibiporã para uma reunião nos próximos dias. No encontro, ele buscará saber se algum dos prefeitos aceita receber o presídio.
Segundo Parzianello, existe uma determinação por parte do governador Roberto Requião (PMDB), para que um Centro de Detenção seja construído na região. Ele completou que existe uma preferência por Londrina, que além de ser a maior cidade do Norte do Paraná, possui estrutura física para receber a obra. Entretanto, ele frisou que nada impede que a obra seja levada para outro lugar. ''Pode ser Cambé, Ibiporã ou qualquer outro município da região'', observou.
O secretário de Justiça voltou a afirmar que o terreno disponibilizado pela prefeitura ao lado da Casa de Custódia de Londrina (CCL), não atende as necessidades da obra, por ser bastante acidentado e estar localizado sobre um relevo rochoso.
O anúncio causou surpresa entre os prefeitos da região. Reinaldo Gomes Ribeirete (PSDB), de Ibiporã (14 Km a leste de Londrina), disse que antes de tomar qualquer decisão precisa consultar a comunidade. ''Cemitério e presídio ninguém quer por perto'', comentou. O prefeito de Cambé (13 Km a oeste de Londrina), José do Carmo (PTB), declarou que antes de falar sobre o assunto, precisa escutar a proposta do secretário de Justiça. Ele também pretende consultar a população.
O prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), afirmou ontem que o Município não tem mais nada a discutir com a Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania sobre a escolha do terreno onde será construído o Centro de Detenção Provisória. ''De nossa parte, este já é um assunto encerrado. O terreno já está escolhido'', resumiu. Micheleti negou que o Estado não tenha sido oficialmente comunicado sobre a decisão, como afirmou anteontem o secretário Aldo Parzianello. O prefeito disse que conversou com o secretário por telefone na semana passada, e que não fará outros contatos oficiais sobre o tema.
O secretário municipal de Governo, Adalberto Pereira, disse que estará hoje fazendo uma análise do terreno, juntamente com um técnico da prefeitura. Se entenderem que existe viabilidade para construção da obra no local, o terreno será desapropriado e oferecido ao Estado.
O juiz da Vara de Execuções Penais, Roberto do Valle, acredita que, realmente, Londrina poderá perder a obra para outro município, o que ele considera bastante prejudicial. Segundo ele, se isso acontecer não será a primeira vez. Valle explicou que a Penitenciária Industrial construída em Guarapuava, e a Penitenciária em regime semi-aberto, que está sendo construída em Maringá, deveriam vir para Londrina. ''O problema foi o mesmo, demora no terreno'', ressaltou. O Centro de Detenção terá capacidade para 400 detentos, sendo uma ala destinada às mulheres. O orçamento previsto é de R$ 2,5 milhões. (Colaborou Vanessa Navarro)

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