Ibiporã lança programa de logística reversa
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quinta-feira, 02 de junho de 2016
Simoni Saris<br>Reportagem Local 
Ibiporã - Com a modernização constante da tecnologia, a todo instante surgem no mercado equipamentos mais modernos, incentivando os consumidores a substituírem as versões mais antigas por modelos mais eficientes. Mas se por um lado as inovações tecnológicas facilitam a vida das pessoas, elas também contribuem para aumentar o volume de um tipo de lixo ao qual é difícil dar uma destinação correta e que acaba se tornando um problema ambiental. Pensando na solução desse problema, a Prefeitura de Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina) criou um programa para organizar a logística reversa de resíduos especiais e perigosos que não podem ser descartados no lixo comum nem no reciclável.
O "Ibiporã Devolve" será gerido pelo Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) e consiste em fornecer caixas de papelão para que a população acondicione nelas materiais como lâmpadas, pilhas, embalagens de tintas e solventes, medicamentos vencidos, produtos eletroeletrônicos que não sejam da linha branca e até bitucas de cigarro. As caixas têm cinco tamanhos diferentes disponíveis e custam entre R$ 10 e R$ 30. Nesse valor, já estão embutidos os custos com transporte, coleta e destinação dos resíduos.
O programa abrange residências e empresas de pequeno a grande portes e quem quiser participar deve ir até a sede do Samae, emitir uma ordem de serviço e pagar o boleto no valor da embalagem escolhida. "A pessoa leva a embalagem e, quando estiver cheia, ela traz aqui ou a gente vai buscar. A embalagem vai ser rastreada pelo número da ordem de serviço e se a pessoa demorar para devolver, a gente vai ligar para saber o que aconteceu", explicou o diretor de Limpeza Pública do Samae, Miguel Gardini.
Tudo será levado para a Central de Tratamento de Resíduos do município, onde será feita a separação por tipo de material. "Nossa primeira tentativa será reciclar esse material. Se der para reciclar, vamos buscar uma empresa que faça isso. O que não der para reciclar será destinado a um aterro industrial", disse Gardini.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos, estabelecida pela lei 12.305/10, define a logística reversa como um instrumento para viabilizar a coleta e a devolução dos resíduos sólidos especiais ou perigosos ao setor empresarial responsável pela sua fabricação para que sejam reaproveitados ou que tenham uma destinação ambientalmente adequada. Na prática, isso significa que todo fabricante teria a obrigação de receber de volta seus produtos já usados. No entanto, nem todos os setores da cadeia produtiva cumprem a legislação. "Como a gente sabe que a ponta maior está se esquivando, decidimos assumir a responsabilidade", afirmou o diretor do Samae.
Sócio-proprietário da Eletronicolau, em Ibiporã, Antonio Carlos Nicolau recebe as lâmpadas usadas levadas pelos clientes que vão até a loja comprar novas lâmpadas. "Se trouxerem duas lâmpadas e comprarem duas, eu pego as duas", explicou. A cada dois ou três meses, de 300 a 500 lâmpadas são entregues a uma empresa de Londrina à qual Nicolau paga entre R$ 0,60 e R$ 0,70 por unidade, o que dá uma média de R$ 260 por vez. "É caro, mas estamos fazendo a nossa parte." Nicolau aderiu à logística reversa há cinco anos. "Antes a gente jogava todo o resíduo no lixo comum." Ele ainda não decidiu se irá aderir ao Ibiporã Devolve. "O programa é ideal, mas ainda vou avaliar. Se for mais vantajoso, eu posso trocar."


