Ibiporã exibe ultraleve '100% nacional'
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domingo, 27 de fevereiro de 2005
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Depois de ganhar a simpatia de 42 aerodesportistas Brasil afora, foi apresentado ontem no Clube de Aviação Experimental do Paraná (Ceap), em Ibiporã (14 km a leste de Londrina), o primeiro ultraleve totalmente fabricado no Brasil.
Batizado de Orion, o modelo tem peso aproximado de 245 quilos e, em algumas cidades, já deixou de ser usado simplesmente para lazer para ganhar contornos de uma utilidade mais ampla.
À primeira vista, é difícil imaginar que o equipamento dispense a fama de ''brinquedo de gente grande'', ainda mais quando se ouve que o motor adaptado é o mesmo de uma Kombi. Bastam alguns minutos de conversa, entretanto, para constatar que o Orion facilmente coloca o rótulo por terra.
Em Limeira (interior de São Paulo), por exemplo, policiais da Guarda Civil do Município têm feito uso da engenhoca na captura de veículos furtados o que teria reduzido o número de ocorrências do tipo de 10 para uma ao mês. ''Começou com um grupo de agricultores que, de tanto terem tratores levados por ladrões, se reuniram em cooperativa, compraram um Orion e o cederam à Guarda Municipal. Desde então (isso foi há cerca de dois anos), usam o modelo em várias outras ocorrências'', explicou o piloto Davi Landgraf, 26 anos, que há dois anos trabalha com o Orion.
Segundo Landgraf, as vantagens de o Orion ser totalmente fabricado no Brasil a indústria fica em Santa Cruz da Conceição (interior de São Paulo) podem ser verificadas no preço de R$ 50 mil para venda (inferior aos praticados no mercado), na manutenção e no tipo de combustível utilizado, o álcool. ''A manutenção básica de um ultraleve semelhante custa em média US$ 6 mil; a do Orion custa R$ 900. Além disso, o litro do álcool vale em média R$ 1,40, enquanto o avgás espécie de gasolina de aeronave vale de R$ 3,50 a R$ 6, dependendo da localidade'', enumerou o piloto.
O Orion é fabricado há dois anos e meio. O motor Volkswagen aeronautizado adotado pode chegar aos 80 Hps de potência e velocidade média de 75 milhas (120 Km/h), mais altura máxima de 10 mil pés (3 Km). A autonomia de vôo, garante o piloto e a fábrica , é da ordem de duas horas e meia, ou cerca de 1,2 mil quilômetros em uma viagem de ida e volta.
Para o piloto comercial Ítalo Pinheiro, 22, a ''tranquilidade'' no percurso depende de condições climáticas como ventos e chuva. Em compensação, ele afirma, já há quem use o Orion para pulverização de lavouras, na prática aceita com restrições pelo Departamento de Aviação Civil (DAC). ''O proprietário do ultraleve tem que ser, necessariamente, o dono da lavoura'', explicou.
Na avaliação do vice-presidente do Caep, Bilmar Dias, 42, pelo custo do conjunto a iniciativa da compra até compensa.''A manutenção que a gente paga hoje é muito cara, e o avgás é vendido em locais e cidades restritos. Em Ibiporã, por exemplo, não tem'', contou. Se alguém teria coragem de desembolsar R$ 50 mil só para lazer de fim de semana? Dias aposta que sim. ''Vale para tirar o estresse dos dias de trabalho, só por isso''.


