Ibiporã conta com frota de cerca de 31 mil veículos; expectativa da prefeitura é lançar licitação para estacionamento rotativo neste primeiro semestre
Ibiporã conta com frota de cerca de 31 mil veículos; expectativa da prefeitura é lançar licitação para estacionamento rotativo neste primeiro semestre | Foto: Gustavo Carneiro



Ibiporã - Com número cada vez maior de veículos circulando pela cidade, Ibiporã e Rolândia, ambas na Região Metropolitana de Londrina, enfrentam problema semelhante e que tem se agravado com o passar do tempo: a dificuldade para estacionar na área central. Os transtornos gerados por esta situação acabam refletindo no comércio local e na paciência dos motoristas. Buscando pôr fim a este impasse, os dois municípios se preparam para implementar o estacionamento rotativo.

Em Ibiporã já existe uma lei aprovada, de 2011, que prevê a criação do sistema rotativo. Desde então vêm ocorrendo debates, porém só agora parece que a legislação finalmente sairá do papel, com lançamento de licitação para contratar responsável para administrar o serviço. "O comércio é muito prejudicado com esta falta de opção para estacionar. Fizemos uma pesquisa junto à população em 2018 e 79% dos entrevistados responderam que deixaram de comprar em Ibiporã em alguma ocasião por falta de vaga no quadrilátero central. Isto impacta nas vendas", relata Marcelo Juliano Machado, presidente da Aceibi (Associação Comercial e Empresarial de Ibiporã).

Diversas reuniões entre sociedade civil, vereadores e prefeitura vêm ocorrendo há vários meses. "Estes encontros estão sendo realizados para a associação cobrar e auxiliar no que for preciso. A prefeitura falou que antes de lançar a licitação seria necessário fazer o Plano Diretor, porque dentro dele tem o Plano Mobilidade Urbana e então chegar no sistema rotativo de trânsito. Não sei se o município foi cedendo ou entendendo, mas seja o que for resolveu desmembrar o sistema destes planos", aponta.

PONTOS CRÍTICOS
De acordo com o diretor do Diretor de Trânsito de Ibiporã, Euller Alexandre Gualberto, o órgão promoveu em 2018 pesquisa in loco para tabular os pontos mais críticos e partir disto elaborar a proposta de locais para receberem vagas rotativas. "O projeto de instalação está bem avançado. O município, com base na lei específica, vai terceirizar o serviço. Falta apenas uma última reunião com sociedade civil e parlamentares, o que vai acontecer nas próximas semanas, para ver se eles aprovam a proposta ou têm ponderações e sugestões", explica.

O projeto prevê que sejam contempladas por este sistema a avenida principal, que começa com o nome de Santos Dumont e termina como Paraná, e adjacências, como avenidas Dom Pedro II, Prefeito Mário de Menezes, José Bonifácio e Engenheiro Francisco Beltrão, além da rua Primeiro de Maio. Serão cerca de mil vagas. Ibiporã conta com frota de pouco mais de 31 mil veículos e população de 54 mil pessoas. "A ideia é oferecer ao munícipe mais de uma possibilidade de aquisição pela hora estacionada. Fora o parquímetro, deverá ter cartão via aplicativo. Os motoristas terão auxílio de trabalhadores assim como em Londrina", adianta Gualberto.

O valor a ser cobrado pelo uso das vagas ainda será definido, entretanto o diretor de Trânsito de Ibiporã garante que não sairá do padrão do que é praticado na região. Em Londrina e Cambé custa R$ 1,70 uma hora e em Arapongas R$ 2. "O principal objetivo é a organização do fluxo de veículos e garantia da democratização da via pública. O foco não é o lucro. Lugares reservados para deficientes físicos, idosos e de carga e descarga vão ficar fora desta cobrança", pontua. A expectativa é que a licitação seja lança neste primeiro semestre.

ROLÂNDIA

Rolândia teve entre 2007 e 2016 a Zona Verde, serviço administrado por uma associação de projetos sociais
Rolândia teve entre 2007 e 2016 a Zona Verde, serviço administrado por uma associação de projetos sociais | Foto: Gustavo Carneiro


No caso de Rolândia, o processo para implementar o estacionamento rotativo está mais lento. O município irá, como passo inicial, municipalizar o trânsito na cidade de mais de 65 mil habitantes. Somente depois disto é que irá finalizar o projeto de cobrança para quem estaciona na área central.

Para esta municipalização existe uma série de exigências e processos. Entre eles, o espaço do departamento criado ser distante do Detran, e não estar inserido na mesma área da prefeitura, tendo pátio independente. É preciso ainda a criação de Jari (Junta Administrativa de Recursos de Infrações), estatuto e formação da equipe para dar entrada no convênio com Cetran (Conselho Estadual de Trânsito do Paraná), que deve vistoriar e homologar, e Denatran (Departamento Nacional de Trânsito).

É permitido que seja feito parceria com Detran, seja total ou parcial, com o intuito de manter algumas atividades atreladas ao órgão do Estado. "No nosso caso seria parcial até podermos 'andar com as próprias pernas'. O Detran, por exemplo, poderia enviar às multas. Num segundo momento contrataríamos a figura do agente de trânsito por processo seletivo, com teste escrito, de aptidão física, psicológico e o candidato deverá ter carteira com autorização para dirigir caminhão", observa Gerson Carlos dos Santos, diretor de Trânsito de Rolândia.

Rolândia teve entre 2007 e 2016 a Zona Verde, estacionamento rotativo que era administrado por uma associação de projetos sociais. O serviço acabou justamente por falta de órgão fiscalizador, já que os motoristas não poderiam ser obrigados a pagar por deixar o veículo estacionado em local público, o que gerou prejuízo e como consequência a finalização do trabalho. As placas deste sistema continuam em pé em muitas ruas da cidade. "A partir da municipalização o município pode legislar sobre as vias, tendo o fato do estacionamento rotativo", indica Santos.

Sem estipular prazo para que tudo isso seja colocado em prática, o diretor de Trânsito do município afirma que o projeto do estacionamento rotativo pode se adiantado em partes enquanto se faz a municipalização do trânsito. "Já foram feitas duas audiências públicas para tratar do tema, sendo definido que serão mil vagas de rotativo e que pessoas com deficiência não pagariam. Quando tiver licitação para contratar empresa, será no tipo menor preço", adianta.

OPINIÕES
"Estacionam o carro de manhã no centro, embarcam no ônibus do transporte coletivo e só retornam para retirar no final da tarde. Ficam o dia inteiro ocupando vaga." O relato do comerciante ibiporãense Valdenir Piedade não é exclusivo a uma ou outra vaga. Pelo contrário, a situação é corriqueira e generalizada por diversos locais do quadrilátero central da cidade. "Tem dia que chego para trabalhar 7h30 e não tem mais locais para colocar o veículo, porque as pessoas já deixaram e foram para Londrina. Falta rotatividade", reclama ele, que é dono de uma sorveteria e açaiteria.

Para a secretária Rosana Moreira, a implantação do estacionamento rotativo é uma demanda urgente da população. No caso dela, que sempre vai ao centro para comprar medicamentos para a mãe, achar um vaga para o carro é motivo de estresse. "Já perdi as contas de quanto tempo gasto cada vez que preciso vir ao centro. Além do trânsito, que já é difícil em alguns pontos, tem a questão do estacionamento, que simplesmente é escasso. As vezes pago para usar espaço privado", relata. "Do tempo que estão falando que vai ter, só acredito vendo", diz, mostrando ceticismo quanto à efetividade do projeto ser colocado em prática.

Populares em geral e comerciantes de Rolândia veem com bons olhos a volta do sistema de estacionamento rotativo no município, mesmo que ainda esteja distante. De acordo com eles, encontrar lugar para deixar o veículo ficou dificultoso desde que o programa foi desativado. "Temos que deixar o carro mais longe de onde vamos, porque ao contrário só vamos andar em círculos. Antigamente era mais fácil, porque quando 'pesa no bolso' a coisa muda de figura", opina a professore Ivone Batista.

Há 49 anos com estabelecimento comercial no região central da cidade rolandense, Sonia Mota acredita que a volta da Zona Verde ainda poderá gerar oportunidades de trabalho. "Vai ser bom, pois emprega os adolescentes, que acham uma ocupação, se colocando no mercado de trabalho. Meus fornecedores precisam estacionar distante ou fazer fila dupla, sujeitos a serem multados, para descarregar objetos aqui. Isso que ficam poucos minutos. Com o sistema pela menos vai ter carro entrando e saindo da vaga a todo instante, deixando mais democrático", sustenta a empresária, proprietária de floricultura.

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