IBGE não pagou recenseadores
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 1997
Do correspondente 
CAMPO MOURÃO - O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ainda não pagou o último mês de trabalho e o acerto de contas dos recenseadores que trabalharam na coleta de dados para o Censo realizado no ano passado. O atraso já passa dos 40 dias e está causando revolta entre recenseadores. Três deles procuraram a Folha ontem para denunciar o descaso.
Somos desempregados e precisamos desse dinheiro, conta Carlos Roberto Vieira, 43, que trabalhou durante cinco meses como supervisor do IBGE. Pelas suas contas, ele tem pelo menos R$ 700,00 para receber. A denúncia foi confirmada pelos agentes censitários de Araruna, Claudemir Prado, 21, e de Luiziana, Antônio Paulo Seichuque, 32. Eles não receberam o salário de dezembro, as férias e o 13º proporcionais.
Para piorar a situação, Prado conta vem sendo cobrado pelos 10 recenseadores que trabalharam com ele em Araruna e que também não receberam os acertos finais. Eles não acreditam que o IBGE ainda não tenha pago, queixa-se. Como agente censitário, Prado era responsável pela equipe que coletava dados no município. Agora tenho até vergonha de sair pelas ruas da cidade.
Outro problema dos recenseadores é que o tíquete-refeição que eles recebiam era de uma empresa que faliu durante o contrato. Ficamos com um tíquete que ninguém aceita, revolta-se Vieira.
O escritório do IBGE de Campo Mourão confirma o não-pagamento dos agentes e supervisores. O problema, que atinge todos os recenseadores do Paraná e de Santa Catarina, é que o governo federal ainda não repassou recursos para o instituto. Não há previsão para o pagamento.


