IBGE constata que 77,8% dos paranaenses vivem nas cidades
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quarta-feira, 06 de agosto de 1997
Lorena Aubrift Klenk 
Curitiba
Albari RosaEm Curitiba, área em torno da Igreja do Umbará, ocupada recentemente, expõe migração do campo para a cidadeA persistência do êxodo rural no Paraná, em velocidade e intensidade expressivas, foi um dos dados do Censo 96 que mais impressionou os pesquisadores do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). O censo mostra que a população urbana paranaense passou de 73,3% do total em 1991 para 77,8% no ano passado.
Chega a ser surpreendente que esse processo ainda ocorra de forma acelerada e com tanta intensidade, afirma a coordenadora do Projeto de Estudos Populacionais do Ipardes, Marisa Magalhães. Segundo ela, a crescente urbanização reflete a modernização das atividades agrícolas nos últimos 25 anos.
A mudança que o censo parece apontar é que uma parcela significativa da população que sai do meio rural não procura mais outros estados, como ocorreu por duas décadas. O eldorado da fronteira agrícola se esgotou, diz Marisa. Agora, essas populações parecem ir em busca de oportunidades nos pólos regionais do próprio Estado.
O reflexo disso é que o Paraná, depois de duas décadas de crescimento populacional baixo (0,97% ao ano no período 1980-91) apresentou recuperação nos últimos cinco anos, quando a taxa anual foi de 1,3%. Isso reflete também o fato de que o Paraná passou a receber migrantes de outros estados e a migração de retorno - famílias que fracassaram ao buscar uma vida melhor em outros estados.
Mas ainda não é possível saber qual desses processos pesou mais na recuperação, diz Marisa. Segundo ela, o que já é possível concluir é que o Paraná ainda tem saldo migratório negativo, ou seja, continua sendo expulsor de população, embora com menor intensidade.
Em Curitiba - cuja região metropolitana apresentou o maior crescimento populacional entre todas as do país (3,4% ao ano) -, o prefeito Cássio Taniguchi disse que os dados assustam, mas não causam grande preocupação. Segundo ele, que preside a Associação dos Municípios da região, Curitiba cresceu 5,7% ao ano nas décadas de 70 e 80. A cidade se preparou com uma política de transportes, habitacional e de áreas verdes, diz. Agora, nosso desafio é preparar também a Região Metropolitana, a partir de uma estratégia de ocupação adequada do espaço geográfico.


