Curitiba

Albari RosaEm Curitiba, área em torno da Igreja do Umbará, ocupada recentemente, expõe migração do campo para a cidadeA persistência do êxodo rural no Paraná, em velocidade e intensidade expressivas, foi um dos dados do Censo 96 que mais impressionou os pesquisadores do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). O censo mostra que a população urbana paranaense passou de 73,3% do total em 1991 para 77,8% no ano passado.
‘‘Chega a ser surpreendente que esse processo ainda ocorra de forma acelerada e com tanta intensidade’’, afirma a coordenadora do Projeto de Estudos Populacionais do Ipardes, Marisa Magalhães. Segundo ela, a crescente urbanização reflete a modernização das atividades agrícolas nos últimos 25 anos.
A mudança que o censo parece apontar é que uma parcela significativa da população que sai do meio rural não procura mais outros estados, como ocorreu por duas décadas. ‘‘O ‘eldorado’ da fronteira agrícola se esgotou’’, diz Marisa. Agora, essas populações parecem ir em busca de oportunidades nos pólos regionais do próprio Estado.
O reflexo disso é que o Paraná, depois de duas décadas de crescimento populacional baixo (0,97% ao ano no período 1980-91) apresentou recuperação nos últimos cinco anos, quando a taxa anual foi de 1,3%. Isso reflete também o fato de que o Paraná passou a receber migrantes de outros estados e a migração de retorno - famílias que fracassaram ao buscar uma vida melhor em outros estados.
‘‘Mas ainda não é possível saber qual desses processos pesou mais na recuperação’’, diz Marisa. Segundo ela, o que já é possível concluir é que o Paraná ainda tem saldo migratório negativo, ou seja, continua sendo expulsor de população, embora com menor intensidade.
Em Curitiba - cuja região metropolitana apresentou o maior crescimento populacional entre todas as do país (3,4% ao ano) -, o prefeito Cássio Taniguchi disse que os dados ‘‘assustam, mas não causam grande preocupação’’. Segundo ele, que preside a Associação dos Municípios da região, Curitiba cresceu 5,7% ao ano nas décadas de 70 e 80. ‘‘A cidade se preparou com uma política de transportes, habitacional e de áreas verdes’’, diz. ‘‘Agora, nosso desafio é preparar também a Região Metropolitana, a partir de uma estratégia de ocupação adequada do espaço geográfico’’.

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