IBC de Jacarezinho está depredado
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segunda-feira, 12 de março de 2012
Widson Schwartz <br> Especial para a FOLHA 
Jacarezinho - Caindo aos pedaços, a estação ferroviária já não representa a destruição máxima de um patrimônio público em Jacarezinho (Norte Pioneiro). ''Você acha que aqui (a estação) está feio? Vá olhar o IBC II. Roubaram a cobertura inteira, destruíram tudo e estão levando o resto'', aponta o industrial Enéas Moraes de Oliveira, permissionário de um galpão na faixa da ferrovia, desativada na década de 70. O Instituto Brasileiro do Café II assemelha-se a um cenário de guerra, pelo imenso imenso armazém, duas residências e um prédio de administração inteiramente depredados, após longo tempo à mercê de assaltantes, vadios e viciados em drogas.
''Parece que jogaram uma bomba lá'', diz Celso Rossi, professor da Faculdade de Direito e historiador, que vem alertando sobre as perdas do patrimônio histórico e cultural ante a inércia do poder público.
''É para Jacarezinho sentir vergonha'', afirma Dinarte Antônio Vaz, titular da Superintendência do Patrimônio da União no Paraná (SPU-PR), criticando a Prefeitura, que não conseguiu impor atividade produtiva ou de finalidade social no imóvel, à exceção de uma indústria de móveis por um breve período. E deixando de preservá-lo, nos termos da concessão provisória, ''tem parte de responsabilidade'' pela depredação.
''Dos 62 imóveis do extinto IBC no Paraná, só este em Jacarezinho tem problema'', ressalta o superintendente patrimonial, achando ainda ''lamentável que a própria população tenha cometido o vandalismo'', motivo de boletim de ocorrência e de inquérito da Polícia Federal. ''Ficou mais que comprovado que Jacarezinho não consegue nenhuma atividade em armazém daquele porte'', resume.
Já o IBC I, também em Jacarezinho, que se encontra preservado, será concedido ao governo do Estado e voltará a ter a sua primitiva finalidade: armazenar café, informou Vaz.
A secretária municipal de Indústria e Comércio, Nádia Cussolim, disse que o Município pagou a vigilância no período em que teve o imóvel sob guarda, entre 2005 e 2008, e a Polícia Militar chegou a ser acionada. Quanto à utilização, considerou-se inviável adaptar o prédio para acolher indústrias, pela dificuldade em modificá-lo e o alto custo que implicaria a intervenção, conforme Nádia.
Em 30 de setembro de 2009, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto assumiu a guarda e seu coordenador nacional, Sílvio José Gonçalves, disse que poderia servir a projeto habitacional ou a uma atividade econômica. Na expressão de Vaz, o Movimento apenas ''jogou a pá de cal'' que faltava, ao deixar o patrimônio abandonado e sujeito ao vandalismo. A FOLHA não conseguiu ouvir dirigente regional do Movimento.


