Israel Reinstein
De Curitiba
O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) barrou esta semana um pedido feito pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para compra de 300 motosserras, que seriam usadas em assentamentos da região de União da Vitória, região Sul do Estado. O Ibama indeferiu os registros dos equipamentos, por entender que nenhum assentamento tem autorização do próprio instituto e do IAP (Instituto Ambiental do Paraná) para extrair árvore. Ontem a assessoria de imprensa do Incra informou que sustou o pagamento para aquisição das motosserras.
Segundo o superintendente do Ibama, Luiz Antônio Nunes de Mello, a instituição soube da compra das motosserras depois de uma denúncia anônima, deixada na porta da instituição. Também nesta semana, uma rádio de União da Vitória divulgava propaganda de uma empresa de produtos agrícolas, anunciando a chegada dos equipamentos.
Preocupado, Mello solicitou informações do Incra. De acordo com o Instituto de Colonização, as motosserras faziam parte de um dos projetos que seriam financiados pelo Programa Nacional da Agricultura Familiar (Pronaf).
A assessoria de imprensa do Incra informou que quando a superintendência soube da compra das serras, o pedido foi suspenso. ‘‘No entanto, cerca de 70 motosserras já foram entregues’’, informou o superintendente do Ibama. Ele acredita que as empresas que venderam os equipamentos devem pedi-los de volta, já que não será feito o pagamento. Ontem a assessoria de imprensa do Incra não sabia informar se houve a devolução do material, porque o superintendente José Carlos Vieira estava em reunião no interior.
Mello informou que nenhum assentamento de sem-terra recebeu autorização de extração vegetal. Para ele, o Ibama entende que os assentados podem apenas cultivar a terra. ‘‘Imagine um exército de 300 homens armados com motosserras. Não vai sobrar nenhuma árvore em p钒, disse.