Ibama vai recadastrar pessoas que vivem da pesca no Rio Paraná
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 1998
Vânia Moreira 
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) vai recadastrar todos os pescadores profissionais do Rio Paraná, na região do Parque Nacional de Ilha Grande, Noroeste do Estado. Entre os municípios de Guaíra e Icaraíma, cerca de mil pessoas possuem carteira de pescador profissional. O Ibama calcula que mais da metade esteja sendo utilizada por amadores e tenha sido obtida com documentação falsa. Em Vila Alta, fiscais do Parque Nacional já apreenderam carteiras de pescador profissional de empresários e gerentes de banco.
A diretora do Parque Nacional de Ilha Grande, Maude Nancy Motta, acredita que mais de 80% dos amadores que pescam nos finais de semana no Rio Paraná têm carteira de profissional. O documento permite ao pescador utilizar rede, espinhel e apanhar uma quantidade ilimitada de peixes. Já o amador pode usar apenas anzol e tem limite de 30 quilos por pesca.
Para obter o registro de profissional, o pescador tem de comprovar que a pesca é sua principal atividade econômica. Para facilitar a vida do pescador, o Ibama exigia apenas uma declaração assinada por duas testemunhas. Agora, o cadastramento vai ser mais rigoroso. Segundo a chefe do departamento de fiscalização do Ibama em Curitiba, Glória Zanelato, as pessoas que usaram de má-fé para obter o registro poderão ser processadas judicialmente, inclusive os que assinaram testemunho falso.
Os promotores de Guaíra, Robertson Azevedo e Laércio Januário de Almeida, instauraram inquérito civil para apurar a questão da pesca profissional na região. Segundo Azevedo, o recadastramento vai acabar com a indústria da indenização em Guaíra, onde pessoas que não vivem da pesca tentam se habilitar para receber indenizações decorrentes de prejuízos causados por obras como a explosão de rochas para abrir um canal de navegação no Paranazão, realizada ano passado.
O presidente da Colônia Z 13, de Guaíra, Devaldir Capatti, disse ontem que os pescadores filiados à colônia não temem o recadastramento. Nosso pessoal vive mesmo da pesca , garante.


