O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) começou este mês a cadastrar os criadores de abelhas no Parque Nacional de Ilha Grande, no Rio Paraná. Os ambientalistas querem controlar a atividade que deverá ser totalmente proibida em dois ou três anos. Segundo o vice-presidente do parque, Edilson Spinelli, se os apicultores obedecerem as regras a serem impostas, poderão continuar explorando a atividade por mais tempo. ‘‘Entretanto, se criarem problemas, vamos proibir jᒒ, alertou .
De acordo com um levantamento preliminar, existem cerca de 2 mil caixas de abelhas instaladas nas ilhas. ‘‘Isto foi o que conseguimos apurar junto a dez criadores conhecidos, mas existem outros que ainda não sabemos e o número pode ser muito maior’’, explicou. Como cada colméia tem de 80 mil a 100 mil insetos, Spinelli alerta que já existe uma superpopulação de abelhas na reserva, capaz de causar desequilíbrio ecológico e outros problemas. ‘‘Considerando essas duas mil caixas, já seriam aproxidamente 200 milhões de abelhas’’, calcula.
Segundo o vice-diretor do parque, as abelhas têm atacado pessoas em terra e na água, principalmente porque muitos criadores instalam as caixas em locais movimentados ou próximos das margens. Os insetos também podem atacar animais silvestres e até matá-los. Também é comum os apicultores roçarem a vegetação ou cortar galhos em volta dos apiários. O maior problema, entretanto, é o risco de incêndios. Para retirar o mel, é preciso fazer fumaça para acalmar as abelhas.
Foi justamente um incêndio que chamou a atenção para a exploração comercial de abelhas no arquipélago, até então quase desconhecida. O incêndio que queimou no final do ano passado 150 hectares de vegetação em Ilha Grande, no município de Vila Alta (85 km a noroeste de Umuarama), foi provocado por alguém que colheu mel numa colméia, mas a direção do parque não conseguiu descobrir quem foi. Spinelli diz que agora todos os criadores serão cadastrados.
O Ibama também vai impor regras aos apicultores. A intenção é limitar o número de colméias, os locais dos apiários e outras medidas preservacionistas. ‘‘As colméias cujos donos não aparecerem para se cadastrar, serão destruídas’’, informou Spinelli.
Um dos maiores apicultores de Ilha Grande, Inelson Alberto, 40 anos, o ‘‘Gaúcho’’, de Terra Roxa (132 quilômetros a oeste de Cascavel), se diz ofendido com as acusações do Ibama de que os apicultores causam danos à reserva ecológica.
‘‘Nós somos os maiores interessados em preservar a vegetação das ilhas porque dependemos das flores para produzir mel. O fogo, para nós, é uma tragédia e somos os primeiros a combatê-lo ’’, argumenta. Experiente na atividade, Gaúcho também garante que as abelhas não atacam ninguém a menos que se mexa na colméia.
Gaúcho diz que os problemas são causados por alguns apicultores amadores que deixam as colméias em lugares de fácil acesso, atraindo a atenção de outras pessoas que se aventuram a roubar o mel das caixas. ‘‘Como estas pessoas geralmente não sabem como fazer, podem provocar incêndios’’, disse. Ele argumenta que este é um problema fácil de ser resolvido e que a direção do parque está sendo injusta ao tratar todos os apicultores como inimigos em potencial da natureza.
Para Alberto, a maioria dos apicultores deveria ser considerada aliada dos ambientalistas na preservação do arquipélago. Ele cria abelhas desde 1991 e conta que já conseguiu apagar vários incêndios em Ilha Grande. Há três anos, reuniu mais de 20 pessoas e equipamentos para conter um incêndio que ‘‘varreu’’ parte da ilha. ‘‘O fogo parou aqui perto porque fizemos aceiros com o tratorzinho que tenho na propriedade. Se não é isso, o fogo teria subido ilha acima e devastado tudo’’, contou.
Dono de 140 colméias, Alberto produz, em média, 1.500 quilos de mel por ano e tem esperança de que o Ibama permita a continuidade da apicultura nas ilhas. O vice-diretor do parque nacional, criado em setembro de 1997, descarta a possibilidade. ‘‘Quando o parque for efetivado, não será permitida mais nenhuma atividade comercial’’.

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