O juiz federal Luiz Carlos Canalli concedeu sexta-feira liminar a uma medida cautelar dos pescadores de Guaíra que obriga o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a monitorar o rebaixamento do nível do lago. O Ibama terá de montar uma equipe multidisciplinar para realizar perícias enquanto o nível do lago estiver baixo. Os pescadores afirmam que o esvaziamento do lago vai reduzir ainda mais o estoque pesqueiro do Paranazão e pretendem ingressar com uma ação de indenização contra a Itaipu.
Segundo o advogado da Colônia Z 13, Aparecido Martins, todas as ações movidas até agora pelos pescadores contra a usina alegando prejuízos à pesca esbarram na falta de provas. ''A Itaipu sempre nega os danos e os pescadores não têm condições de pagar estudos para levantar provas periciais''. Segundo o advogado, no ano passado milhares de peixes morreram encalhados em margens e lagoas secas.
O rebaixamento também reduz o estoque de alimentos e compromete a piracema porque os peixes não conseguem chegar às lagoas e várzeas, onde procriam. ''Desta vez, entramos com a cautelar para garantir as perícias que poderão comprovar os danos e embasar uma ação de indenização'', disse Martins.
Na liminar, o juiz dá prazo de cinco dias para o Ibama constituir uma equipe de estudos e determina que os técnicos avaliem possíveis danos ambientais durante o período de rebaixamento do nível do lago. Determina ainda que seja analisado se a baixa do nível das águas é consequência da abertura das comportas da Hidrelétrica de Itaipu. Os pescadores e a Itaipu também poderão nomear peritos para acompanhar os trabalhos. Segundo Martins, a cautelar beneficia todas as colônias de pesca na região do lago. O Ibama ainda não foi intimado da decisão. (V.M.)

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