Ibama teme conflito e adia fiscalização
O aumento da tensão na área do Parque Nacional do Iguaçu ocupada por moradores e políticos das regiões Oeste e Sudoeste do Estado, com o objetivo de reabrir definitivamente a Estrada do Colono, levou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a adiar uma fiscalização prevista para ontem. Técnicos do órgão iriam notificar os invasores para que deixassem o local, obedecendo a determinação da Justiça Federal em Curitiba.
O diretor do parque, Julio Gonchorosky, disse que o Ibama decidiu transferir a vistoria para a semana que vem, sem precisar a data. O adiamento seria para evitar um possível conflito com os invasores, que ocupam a área desde o último dia 11, quando reabriram por conta própria a estrada para o trânsito de veículos leves. A Estrada do Colono foi fechada em 1986, por uma liminar da Justiça. O processo sobre o julgamento do caso se arrasta desde então.
O dia de ontem foi de tensão entre as cerca de 500 pessoas que estão acampadas nas duas extremidades do trecho de 17,6 quilômetros da estrada que corta o Parque do Iguaçu, entre Serranópolis do Iguaçu (Oeste do Estado) e Capanema (Sudoeste). Durante a madrugada, um boato de que forças policiais fariam a retirada dos invasores no início da manhã fez com que mais de 100 pessoas passassem a noite em vigília.
A suspeita não se confirmou. Mas, às 7h40, dois policiais federais chegaram ao acampamento de Capanema para entregar uma notificação da juíza daquele município, Ângela Maria Machado Acosta, na qual ela ordenava a interdição da balsa que faz a travessia do Rio Iguaçu. Nenhum dos invasores aceitou receber a ordem e os policiais foram embora. Na prática, a interdição da balsa impediria a continuação do tráfego na estrada.
No início da tarde, o grupo impediu que três agentes do Ministério da Marinha - a quem cabe fiscalizar o transporte fluvial no País - fizessem uma vistoria na balsa. Estamos fazendo uma resistência passiva e pacífica, no estilo de Mahatma Ghandi (líder indiano que pregava a não-violência), comparou o deputado estadual Irineu Colombo (PT), principal liderança política do movimento.
Temendo que a ameaça de despejo se concretize, os invasores divulgaram que vão reforçar o acampamento no final de semana com mais 20 ou 30 barracas. O superintendente do Ibama no Paraná, Jonel Iurk, já anunciou que, se o grupo não sair espontaneamente, vai pedir à Polícia Federal que faça a desocupação à força.





