Ibama tem plano contra desmatamento no PR
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 12 de maio de 2009
André Amorim<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Até o final deste mês, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recusos Naturais Renováveis (Ibama) no Paraná apresentará ao governador Roberto Requião (PMDB) um Plano Estadual de Combate ao Desmatamento. Segundo José Álvaro Carneiro, superintendente do órgão no Estado, esta é uma iniciativa inédita no Brasil e tem como objetivo barrar a ação dos desmatadores que estaria deixando o Paraná "careca", isto é, sem a cobertura de mata nativa.
O conceito-chave para conceber esse plano, segundo Carneiro, é a "perenização das relações com o meio ambiente", o que significa ir além de efetuar unicamente ações de fiscalização e repressão da atividade de extração ilegal de madeira, para criar um panorama sustentável, conciliando ações legais, sociais e de conscientização. "Não tem como pensar o combate ao desmatamento se você não lembrar o que as pessoas estão fazendo e por que", pondera. Como exemplo ele cita os cerca de mil fornos de carvão ilegais encontrados na região centro-sul do Estado, onde a devastação atingiu seu ponto crítico. "O pessoal sabe fazer carvão, sabe vender, já existe uma rede estabelecida de produção e comercialização. Mais inteligente do que simplesmente destruir esses fornos é pensar como podemos produzir biomassa pra ser carbonizada e entrar numa rede de produção e comercialização legalizada", observa.
Diante disso, a saída seria dar alternativas ecologicamente corretas a esses trabalhadores, como o uso de plantas como o capim elefante, a bracatinga ou o eucalipto (enquanto arbusto) como matéria-prima e equipar essa força produtiva com fornos mais modernos, o que também reduziria a emissão de fumaça.
No momento um grupo de trabalho multidisciplinar formado por diversos órgãos estaduais e federais, como secretaria estadual de Meio Ambiente, secretaria estadual de Agricultura, secretaria estadual de Segurança Pública, Instituto Ambiental do Paraná, Polícia Federal e Copel está definindo quais serão as diretrizes principais do novo plano e como elas serão aplicadas. "Não somos especialistas na questão social nem na geração de energia, vamos ter que somar conhecimentos.", aponta o dirigente.
Dentre as ações confirmadas por Carneiro, está o uso de toras de araucária apreendidas pelo órgão para a confecção de dez instalações artísticas que serão distribuídas em pontos chave de Curitiba com objetivo de chamar a atenção da população para a questão do desmatamento. O plano também passa pela elaboração de alternativas ao extrativismo primário de madeira, como o incentivo à produção de outros produtos, com maior valor agrado, como sucos, etc, e a substituição da madeira nativa por pinus ou eucalipto.
Carneiro também comemora algumas iniciativas em trâmite no Poder Legislativo paranaense que vão ao encontro das ações do plano que está sendo elaborado, como o projeto que cria o Bolsa Floresta, do deputado estadual Pedro Ivo (PT), que repõe o valor que os agricultores estariam deixando de ganhar ao não utilizar para lavoura áreas em que mantém florestas nativas, e o projeto do deputado Luiz Eduardo Cheida (PSDB) propondo alteração no ICMS ecológico, que destinaria 5% do imposto arrecadado para investimentos em projetos ambientais.


