Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
O acidente entre dois barcos nas Cataratas, no último domingo, que resultou na morte de sete pessoas, está levando o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a repensar a segurança das atrações turísticas do Parque Nacional do Iguaçu. O diretor do parque, Júlio Gonchorosky, vai se reunir hoje, em Brasília, com diretores de áreas técnicas e a procuradoria-geral do Ibama, para discutir mudanças.
‘‘Está na hora de repensarmos a segurança dos visitantes, já que todas as atrações do parque estão em áreas selvagens, sujeitas a acidentes’’, disse Gonchorosky ontem. Segundo a Folha apurou, uma das propostas que será analisada é a criação de um seguro de vida para os visitantes.
O seguro seria bancado por uma porcentagem do ingresso, cuja alíquota ainda não foi definida. O ingresso ao parque custa R$ 6,00. Com 185 mil hectares, o Parque do Iguaçu é a mais rentável entre as 140 unidades administradas pelo Ibama. No ano passado, o parque recebeu 800 mil visitantes e faturou R$ 4,2 milhões.
A proposta de criação do ‘‘seguro-turista’’ chegou a ser discutida pelo Ibama em 1987, mas acabou engavetada. Agora, devido à repercussão provocada pelo acidente de domingo, a idéia voltou à tona. Uma das funções do seguro seria resguardar o órgão federal em caso de ações de indenização em um eventual acidente futuro.
O acidente de domingo foi o mais grave nos 60 anos do Parque do Iguaçu. Dois barcos que faziam o passeio Macuco Safári, no cânion do Rio Iguaçu abaixo das Cataratas, se chocaram, matando sete pessoas – seis turistas estrangeiros e um dos pilotos – e ferindo outras três. O passeio é oferecido há 13 anos pela empresa Ilha do Sol Turismo e Navegação, por meio de uma concessão do Ibama.
Além do Macuco Safári, há outro serviço turístico terceirizado na área: passeios aéreos de helicóptero sobre os 275 saltos. A intenção do Ibama é redefinir as normas de segurança para essas duas atividades e também para a visitação a pé. Neste último caso, os turistas andam por escadarias úmidas, numa encosta íngreme, até chegar à passarela que adentra o rio e um mirante suspenso, ao lado do Salto Floriano, o maior das Cataratas.
Em relação ao passeio aquático, Gonchorosky quer negociar com o concessionário argentino do serviço similar ao do Macuco Safári para estabelecer normas de segurança e uma sinalização padrão para ser seguida por todas as embarcações. As Cataratas ficam na fronteira entre Brasil e Argentina.
Com o acidente, o passeio foi suspenso no lado brasileiro. Para autorizar a retomada, o Ibama está aguardando laudo técnico da Capitania Fluvial, órgão ligado à Marinha. Segundo a Folha apurou, se for comprovado falta de equipamentos de segurança ou problemas de manutenção nos barcos acidentados, o serviço poderá ser suspenso definitivamente. No lado argentino, o passeio continuou funcionando normalmente após o acidente.
As mudanças nas normas de segurança adotadas no parque deverão entrar em vigor a partir do próximo ano, quando será entregue a primeira etapa das obras previstas no Plano de Revitalização do parque. Orçado em R$ 20 milhões – que deverão ser bancados pela iniciativa privada, por meio de concessão –, o projeto quer aumentar o número de atrações no parque. O principal objetivo é aumentar o número de visitantes e o tempo de permanência deles na reserva.

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