''Obras foram construídas inadequadamente dentro do Parque Arthur Thomas (zona sul de Londrina), evidenciando a necessidade de formular urgentemente o plano de manejo da maior reserva ambiental urbana de Londrina''. Este foi o resumo da visita realizada ontem pelo promotor de Defesa do Meio Ambiente, Cláudio Esteves. Ele foi acompanhado dos chefes regionais do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Neusa Maria Emídio, e do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Ney Paulo, e da secretária executiva do Conselho Municipal de Meio Ambiente, Maria Aparecida Zanatta.
Durante quase duas horas, o grupo vistoriou as condições das passarelas (parcialmente destruídas pela erosão), tubulações e galerias de esgoto e também a situação de uma caixa dissipadora, construída para conter a força das águas das chuvas. O ponto mais crítico foi identificado na junção do canal que margeia a passarela com o Córrego Pica-Pau, onde uma ponte apresenta grandes buracos e corre o risco de desmoronar. ''Encontramos sinais de erosão em vários pontos do parque. Constatamos que (as obras) precisam de reparo urgente'', afirmou Esteves.
Para Neusa, a ineficiência da caixa dissipadora do Pica-Pau seria uma dos responsáveis pela erosão. ''Este é um dos vetores. Outro seria o volume excessivo de chuvas e a obstrução da passagem da água sob a ponte, provocada por uma pedra enorme'', disse a chefe do Ibama, destacando que o relatório entregue ontem ao Ministério Público (MP) recomenda reformas imediatas e discussão com todos os órgãos públicos envolvidos. ''Temos que sentar com representantes das secretarias de Obras e Meio Ambiente e buscar um consenso.''
Outro problema foi identificado no Córrego Monjolo, que também passa dentro do parque. No leito do rio foram encontrados pedaços de tubulações em concreto e identificado um mau cheiro, supostamente de esgoto. ''As tubulações faziam parte de uma passarela e que se soltaram com as chuvas. Já o cheiro forte é decorrente de uma rede que passa ao lado do córrego'', explicou o representante da Organização Não Governamental (ONG) Patrulha das Águas, João Batista, que também acompanhou a vistoria.
O grupo checou ainda a caixa dissipadora, também parcialmente desmoronada. Ney Paulo disse que não havia encontrado registros da licença ambiental para a construção, mas que buscaria mais informações junto à prefeitura. O secretário Municipal de Obras, Aloysio Crescentini de Freitas, admitiu que as obras foram mal acabadas e que vai aguardar o pronunciamento do Ibama e MP antes de executar o serviço. ''O dissipador é insuficiente e deve ser readequado. Quanto às trilhas, já encaminhamos um especialista em mecânica de solos para avaliá-las.''

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