Ibama quer alternativas de renda para moradores
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quinta-feira, 14 de janeiro de 1999
Vânia Moreira 
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e as prefeituras dos quatro municípios do Parque Nacional de Ilha Grande, no Rio Paraná, querem criar alternativas de renda para as cerca de 80 famílias que ainda vivem no arquipélago. As propostas foram apresentadas ontem de manhã numa reunião em Porto Figueira, município de Vila Alta (85 km a noroeste de Umuarama) entre o vice-diretor do parque, Edilson Spinelli, e os moradores das ilhas. Todos os ilhéus foram convidados, mas apenas 25 compareceram à reunião.
O encontro também serviu para discutir a retirada e indenização dos ilhéus, orientá-los sobre as restrições de pesca, cultivo de lavouras e criação de animais nas ilhas e sugerir medidas de preservação enquanto estiverem morando no parque.
Segundo Spinelli, a maioria das famílias que ainda mora nas ilhas sobrevive de aposentadoria ou de cestas básicas doadas pelas prefeituras. Precisamos ajudar essa gente a conseguir novas fontes de renda, sem prejudicar a reserva, disse. Uma das propostas é racionalizar a exploração das áreas delimitadas para cultivo. A idéia é organizar a produção e comercialização dos produtos. Outra sugestão seria ensinar os moradores a fazer conservas de hortaliças e legumes para venda. Ele também sugeriu a organização de uma feira no porto para os ilhéus verderem o pescado, além de cursos de artesanato e atividades alternativas.
O vice-diretor do parque também orientou os ilhéus sobre as limitações impostas às atividades agropecuárias dentro do parque, como as limitações ao número de animais. Cada família pode ter no máximo duas cabeças de gado, mas algumas têm seis ou até oito. Outro problema é o lixo produzido pelos moradores. Spinelli sugeriu a criação de um posto de coleta e separação de lixo, cujos materiais recicláveis poderiam ser comercializados.
Em quatro anos, o Ibama deverá ter retirado e indenizado todos os moradores. O trabalho começa com o levantamento das famílias e dos títulos de posse indenizáveis. Cinquenta e oito famílias serão transferidas para a vila rural em construção em Vila Alta, que segundo o prefeito Marcos de Paula Faria (PDT), estará concluída até junho.


