Ibama persegue a 'máfia' do palmito
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quinta-feira, 25 de fevereiro de 1999
Paulo Pegoraro 
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) está perseguindo o que considera a máfia do palmito, segundo disse ontem o chefe do órgão em Cascavel, Jorge Pegoraro. O vegetal, de grande valor nutritivo e muito procurado nos supermercados, está sendo extraído ilegalmente de reservas, e comercializado por empresas clandestinas, que falsificam rótulos. É investigada até a possibilidade de que o produto possa levar a doenças como o botulismo, resultante de intoxicações com enlatados ou envasados.
Fiscais do Ibama e da Polícia Florestal há algum tempo buscam informações que possam levar ao desbaratamento da quadrilha na região. A quadrilha extrairia palmito do Parque Nacional do Iguaçu (onde a entrada é proibida), a única área onde existe grande quantidade do palmito do tipo comestível - o Euterpe edulis. No Paraná, o vegetal só é extraído legalmente em áreas de reflorestamento no litoral, onde o plantio é estimulado por programa do governo estadual. Tirando esse produto do litoral, e o palmito vindo de outros estados regularmente, o resto é ilegal, diz Jorge Pegoraro.
Anteontem, a Polícia Florestal prendeu Bruno Schirmer, morador de Capanema, que transportava em um carro 602 vidros de palmito, processado em uma fábrica de fundo de quintal. Ele pretendia vender o produto em Cascavel. Ontem, a fábrica foi interditada. Bruno Schirmer, que foi levado à Polícia Federal de Foz do Iguaçu, acabou contando que entregaria o palmito para uma empresa de Cascavel, a Distribuidora de Alimentos Gênova, no centro da cidade, de propriedade de Fábio André Zakseski. Nos fundos da distribuidora, eram preparados os vidros para venda no atacado.
Outros 95 vidros cheios e 31 vazios foram apreendidos, além de mil rótulos com a marca Maravilha, apresentados como se fossem de uma empresa de Blumenau (SC). No rótulo, há registro falso no Ibama e Ministério da Saúde. O Ibama também apreendeu uma lista de possíveis compradores do palmito. Fábio Zakseski, que foi encaminhado pela Polícia Militar à 15ª Subdivisão Policial, já está em liberdade, para responder inquérito. Zakseski e Schirmer podem ser condenados a até 1 ano de prisão. Eles sofreram multas individuais de R$ 4,5 mil, de acordo com a Lei de Crimes Ambientais.
Agora, está sendo investigada a lista de compradores, para saber se eles tinham conhecimento da origem do palmito. O Ibama enviou ontem amostras à Vigilância Sanitária, para exames, e caso se comprovem más condições de preservação do produto, o que poderia resultar em intoxicações nos consumidores, será agravada a responsabilização de Bruno Schirmer e Fábio Zakseski. Segundo o chefe do Ibama, embora a existência da máfia já fosse conhecida há tempos, só agora pegamos uma ponta dela, e com isso pode ser possível avançar sobre outros envolvidos.


