Ibama nega desmatamento em parque
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segunda-feira, 10 de agosto de 1998
Valmir Denardin 
O diretor-substituto do Parque Nacional do Iguaçu, Cezar Pirajá Júnior, disse ontem que a construção de uma cerca na divisa da reserva com propriedades rurais em municípios da região Oeste do Estado não provocou desmatamento.
Em reportagem publicada na edição da última sexta-feira, a Folha mostrou que a obra, feita por uma empreiteira de Foz do Iguaçu a pedido do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), causou a derrubada de árvores e arbustos em um trecho da cerca, no município de Serranópolis do Iguaçu (70 km a leste de Foz do Iguaçu).
Segundo Pirajá, a derrubada dessas árvores não configura desmatamento. Desmatamento é quando você destrói uma mata inteira, afirmou. No caso do parque, só foi derrubada a vegetação que estava em regeneração no leito de uma antiga estrada que passava pelo local.
Mesmo assim, o diretor do parque admitiu ter ocorrido a derrubada de árvores. Mas foram, no máximo, 20 árvores, com diâmetro médio de 15 centímetros, que estavam tombadas ou na iminência de tombar. Nenhuma árvore de porte que estava de pé foi cortada, garantiu. De acordo com ele, a derrubada de árvores caídas em áreas de circulação é um procedimento adotado em todas as unidades de conservação administradas pelo Ibama.
Pirajá negou também a possibilidade de ter havido excesso no corte de árvores e arbustos pela empreiteira responsável pela construção da cerca, sob a responsabilidade do microempresário de Foz do Iguaçu Afonso Xavier de Souza. Segundo o diretor, todo o trabalho foi feito com a orientação do Ibama.
Com 25 quilômetros de extensão na primeira etapa, a cerca - com mourões de concreto e quatro fios de arame liso - tem o objetivo de delimitar a área do Parque do Iguaçu, que possui 185,2 mil hectares no Paraná. De acordo com Pirajá, a derrubada da vegetação, numa faixa de três metros de largura ao longo da cerca, serve também para impedir a propagação de incêndios originados em propriedades vizinhas para o interior do parque.
A constatação de que não teria havido desmatamento foi feita por dois técnicos do Ibama e dois policiais florestais, que visitaram a área na sexta-feira. O relatório elaborado por eles foi enviado ontem à Procuradoria da República, em Foz do Iguaçu, e à Superintendência Estadual do Ibama, em Curitiba.


