Ibama investiga nova exploração de xisto
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sexta-feira, 29 de setembro de 2000
Dimitri do Valle De Curitiba 
O representante no Paraná do Instituto Brasileiro do Meio-Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Luiz Nunes de Melo, instaura na próxima semana investigação para apurar explosões subterrâneas nas jazidas de xisto betuminoso em São Mateus do Sul (91 km a nordeste de União da Vitória). Moradores estariam reclamando do barulho e de supostos danos ambientais que a exploração pode estar causando.
As reservas de xisto - mineral de onde é extraído petróleo bruto para refino - são controladas pela Petrobras, que mantém desde os anos 70 uma usina no município. Luiz Melo vai convocar um técnico do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) para constatar se as explosões estão obedecendo as normas. O representante do Ibama diz que vai a cidade até quarta-feira da semana que vem. Temos que verificar a veracidade das informações e se o trabalho está sendo executado de acordo com a lei, afirma.
Por trás da polêmica, está a desapropriação de uma extensão de terra de 15 milhões de metros quadrados para ampliar a retirada de xisto em São Mateus do Sul. O presidente Fernando Henrique Cardoso e o ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho Neto, assinaram um decreto no dia 24 do mês passado que trata o assunto. O documento autoriza a Petrobras a negociar com moradores a compra de imóveis que estejam dentro da área, distante sete quilômetros do centro do município.
O secretário de Governo da Prefeitura de São Mateus do Sul, Osvaldo João Jasinski, diz que as denúncias envolvendo as explosões são feitas por moradores que apenas querem lucrar com a venda de seus terrenos para a Petrobras. Jasinski garante que as explosões subterrâneas nunca causaram prejuízos para a cidade. Periodicamente, ela (Petrobras) precisa de um novo pedaço de área para continuar a fazer a mineração, explica.
A discussão lançada pelos moradores deixa a administração municipal em alerta com eventuais prejuízos. Estamos preocupados que a polêmica possa criar obstáculos para o trabalho da Petrobras, afirma Jasinski. Para ele, o trabalho investigatório que o Ibama começa na próxima semana não vai descobrir qualquer anormalidade. O Ibama não vai constatar nada. As explosões acontecem desde os anos 70. É um trabalho antigo e de rotina que se faz aqui.


