Ibama fecha serraria clandestina
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 31 de julho de 1998
Giovani Ferreira 
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) apreendeu em Ponta Grossa uma carga de pinheiro araucária que estava sendo transportada sem nota fiscal por uma serraria da cidade. Os fiscais também acabaram descobrindo que a serraria que iria beneficiar a madeira era clandestina, uma vez que não tinha autorização do Ibama e do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para funcionar.
A apreensão foi feita na madrugada de quinta-feira, durante uma operação de fiscalização noturna, em conjunto com a Polícia Florestal. Segundo João de Oliveira, fiscal do Ibama em Ponta Grossa, o caminhão foi interceptado pela operação perto da 1 hora da madrugada. A carga tinha 19 toras, com uma metragem total de sete metros cúbicos.
Além de ter sido fechada pelo Ibama, a serraria ainda foi multada em R$ 7 mil pela falta da documentação necessária para o beneficiamento de madeira. O proprietário da serraria ainda recebeu uma multa de 1.900 Ufirs (cerca de R$ 1.800,00), referente à carga que estava sendo transportada sem nota fiscal.
Através da serraria o Ibama conseguiu chegar na Fazenda Rosana, área de onde haviam sido retiradas 19 araucárias. Agora o Ibama está atrás do proprietário da fazenda para saber se ele tinha ou não autorização para o corte das árvores.
Segundo João Oliveira, o Ibama deve fazer uma vistoria na fazenda para certificar-se de que não houve corte de pinheiro em outras áreas. As árvores que foram cortadas estavam praticamente escondidas, em meio à vegetação nativa.
De acordo com João Oliveira, a nova legislação ambiental prevê até prisão para o responsável pelo corte ilegal de madeira de lei, como é considerada a araucária. Pelo artigo 45 da Lei nº 9.605/98, além de receber a multa, o infrator pode pegar pena de prisão de um a dois anos.
A serraria clandestina funcionava atrás de uma lanchonete, no bairro Sabará, na periferia de Ponta Grossa. A fazenda de onde a madeira foi retirada fica na divisa entre os municípios de Ponta Grossa e Castro, distante 35 quilômetros do centro da cidade. Os pinheiros que foram cortados tinham em média 20 centímetros de diâmetro.
Os equipamentos da serraria foram lacrados pelo Ibama. O proprietário só poderá reiniciar suas atividades depois de conseguir as autorizações necessárias e quitar as multas que lhe foram atribuídas. Ele ainda pode responder a um processo penal por receptação ilegal de madeira de lei.


