Curitiba - Até o final deste mês, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recusos Naturais Renováveis (Ibama) no Paraná apresentará ao governador Roberto Requião (PMDB) um Plano Estadual de Combate ao Desmatamento. Segundo o superintendente do órgão, José Álvaro Carneiro, esta é uma iniciativa inédita no Brasil e tem como objetivo barrar a ação dos desmatadores que estariam deixando o Paraná ''careca'' - sem a cobertura de mata nativa.
Segundo Carneiro, as ações não se limitarão a fiscalização e repressão da atividade de extração ilegal de madeira. Será criado um panorama sustentável, conciliando ações legais, sociais e de conscientização. ''Não tem como pensar o combate ao desmatamento se você não lembrar o que as pessoas estão fazendo e por que'', pondera.
Como exemplo Carneiro cita os cerca de mil fornos de carvão ilegais encontrados na região centro-sul do Estado, onde a devastação atingiu seu ponto crítico. ''O pessoal sabe fazer carvão, sabe vender, já existe uma rede estabelecida de produção e comercialização. Mais inteligente do que simplesmente destruir esses fornos é pensar como podemos produzir biomassa pra ser carbonizada e entrar numa rede de produção e comercialização legalizada'', observa.
Diante disso, a saída seria dar alternativas ecologicamente corretas a esses trabalhadores, como o uso de plantas como o capim elefante, a bracatinga ou o eucalipto (enquanto arbusto) como matéria-prima e equipar essa força produtiva com fornos mais modernos, o que também reduziria a emissão de fumaça.
Um grupo de trabalho multidisciplinar formado por diversos órgãos estaduais e federais está definindo quais serão as diretrizes principais do novo plano e como elas serão aplicadas. ''Não somos especialistas na questão social nem na geração de energia, vamos ter que somar conhecimentos.'', aponta o dirigente.
Substituição
Dentre as ações confirmadas por Carneiro, está o uso de toras de araucária apreendidas pelo órgão para a confecção de dez instalações artísticas que serão distribuídas em pontos chave de Curitiba com objetivo de chamar a atenção da população para a questão do desmatamento.
O plano também passa pela elaboração de alternativas ao extrativismo primário de madeira, como o incentivo à produção de outros produtos, com maior valor agrado, como sucos, etc, e a substituição da madeira nativa por pinus ou eucalipto.
Carneiro também comemora algumas iniciativas em trâmite no Poder Legislativo, como o projeto que cria o Bolsa Floresta, do deputado estadual Pedro Ivo (PT), que repõe o valor que os agricultores estariam deixando de ganhar ao não utilizar para lavoura áreas em que mantém florestas nativas.
Outro projeto é do deputado Luiz Eduardo Cheida (PSDB), propondo alteração no ICMS ecológico, que destinaria 5% do imposto arrecadado para investimentos em projetos ambientais.

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