Ibama diz não poder retirar invasores
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quarta-feira, 15 de julho de 1998
Valmir Denardin 
O superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Paraná, Jonel Iurk, disse ontem que não há prazo definido para a retirada dos invasores da Estrada do Colono - que liga Serranópolis do Iguaçu (região Oeste do Estado) a Capanema (Sudoeste) - e nem para a conclusão da revisão do Plano de Manejo do Parque Nacional do Iguaçu.
A área está invadida por moradores e políticos das duas regiões desde o dia 11 de janeiro. Conforme a Folha mostrou em reportagem publicada na edição de domingo, nesses seis meses de ocupação os invasores já arrecadaram mais de R$ 250 mil com a cobrança de um pedágio ilegal dos usuários da via. Os valores variam de R$ 5,00 a R$ 12,00, dependendo do veículo.
Estamos imoblizados, resumiu Iurk, em entrevista por telefone. O Ibama não tem condições de retirar os invasores por conta própria. Segundo o superintendente, a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal alegam não ter homens suficientes para cumprir a ordem de despejo expedida pela 1ª Vara da Justiça Federal.
Em relação à conclusão do reestudo do Plano de Manejo do Parque do Iguaçu, Iurk afirmou que o trabalho continua sendo feito, mas não quis fazer uma nova previsão de quando ele poderá ser apresentado. No ano passado, o Ibama não cumpriu, por duas vezes, as datas que estipulou para a conclusão do trabalho.
O principal objetivo da revisão do documento é definir se a área cortada pela Estrada do Colono poderá absorver a presença humana sem que isso provoque um impacto ambiental insuportável para a reserva. Pelo Plano de Manejo em vigor, elaborado em 1981, a área ocupada pela estrada é classificada como intangível (que não admite a presença humana).
Essa revisão é necessária para avaliar, sob a ótica científica, a possibilidade da existência de uma estrada no local, afirmou Iurk. Queremos concluí-la o quanto antes para embasar decisões administrativas mais acertadas.
Segundo o superintendente do Ibama, a invasão do parque está comprometendo o trabalho de campo de técnicos do órgão, porque os ocupantes impedem que eles entrem na área. Devido à invasão, alguns trabalhos, que deveriam ter sido concluídos no verão, foram interrompidos e agora terão de ser iniciados novamente, disse.


